Tradutor, Traidor

Os inimigos de Kardec sempre insistem em que logo após a sua morte algo de revolucionário apareceu em termos de fenômenos e de comunicações mediúnicas. Todavia, para qualquer estudioso da codificação kardeciana e, sobretudo, do vasto acervo enfeixado nos tomos da Revista Espírita, isto não é uma verdade absoluta.

As Origens da Questão Roustaing

O trabalho que se vai ler foi-me enviado em 1981, quando eu estava concluindo a preparação do livro “O Corpo Fluídico”. Foi do saudoso amigo Francisco Klörs Werneck a gentileza da remessa. Mas o meu livro estava já no prelo, de modo que não pude aproveitá-lo, como de resto, a muitas outras colaborações que recebi na época. Dou-o ao seu conhecimento, agora, leitor, no momento em que a segunda edição do “Corpo Fluídico” está sendo lançada. Não sendo inédito, este trabalho é, no entanto, totalmente desconhecido, pois veio a público através da extinta “Revista Espírita do Brasil”, em 1936. Revista e autor eram do Rio de Janeiro. Após sua leitura, compreenderá você a razão que me faz apresentá-lo aqui. (Wilson Garcia).

A Queda do Espírito e o Problema das Origens

Defensores modernos do conceito de queda do espírito dizem, por exemplo, que o número 540 de O Livro dos Espíritos o confirmaria, dando-nos conta de que o arcanjo começou “sendo” átomo e não “no” átomo. O espírito haver-se-ia transformado em matéria quando “caiu” por causa de sua revolta primordial, congelando-se; seria, agora, a própria matéria. A evolução constituiria uma espécie de descongelamento cujo resultado seria a recuperação da pura espiritualidade perdida. Todavia, este monismo de Ubaldi e outras reedições do mito da queda angélica, como a de Roustaing, nada têm a ver com o Espiritismo.