Os Mitos na Doutrina Espírita

1 – O Brasil é a Pátria do evangelho.
  O Brasil será um dia a Pátria do evangelho se trabalharmos duro para isto, senão acontecerá conosco o que aconteceu com a França, berço do espiritismo, esta obra é de responsabilidade dos encarnados, é a nossa parte.

2 – Os livros psicografados pelo irmão Chico Xavier são a continuação da obra de Allan Kardec.
  Os livros psicografados pelo irmão Chico Xavier são os responsáveis pela popularização do espiritismo no Brasil, mas não são obras Doutrinárias, não servem para estudos, são como o leite para as crianças, já os adultos precisam de alimentos mais sólidos.

3 – O uso da palavra humildade.
  A palavra humildade é comumente usada como instrumento de dominação.
  Ex. Você está discordando do mentor da casa espírita? Cadê a sua humildade, quem é você pra falar isto, seja humilde não critique, aceite tudo que lhe for imposto. Não dê a sua opinião pra nada, isto é pretensão sua você não é nenhum espírito evoluído…
  A humildade é um sentimento íntimo, não é aparência exterior, é o conhecimento de si mesmo, o espiritismo bem compreendido e vivenciado leva naturalmente a sermos cada vez mais humildes.

4 – A melhor mediunidade é a inconsciente.
  Para os espíritos desencarnados não existe médiuns inconscientes, pois o espírito do médium está sempre consciente. O médium inconsciente apenas não se lembra da comunicação dada.
  Por ele ser mais passivo, os espíritos se comunicam com mais liberdade, mais facilidade, o que dá uma impressão de mais realismo aos trabalhadores da sessão espírita. Mas mesmo em transe o espírito do médium interfere nas comunicações (animismo) com mais frequência que se imagina. Os trabalhadores encarnados erroneamente são muito crédulos com estes tipos de médiuns, o que faz deles os preferidos dos espíritos mistificadores.

5 – Discutir sobre o corpo fluídico de Jesus, é irrelevante.
  Nós temos que entender que há muitas pessoas chegando ao espiritismo, e ao contato com estas crenças vão tê-las por verdades espíritas. É a banalização da Doutrina. Dizer que Jesus não tinha um corpo físico, não sentia dor, não bebia, não comia e que na cruz Ele fingiu sofrer. Vocês acham que combater esta ideia dentro do espiritismo não tem a menor importância? Se isso fosse verdade Jesus seria um farsante, impostor, um mau caráter, enganou a humanidade inteira.

6 – Os espíritas são mais racionais que os irmãos de outras religiões.
  90% dos espíritas só o conhece de ouvir falar, outros poucos de ouvir palestras no CE antes do passe, outros de algumas leituras de romances, dai a aceitação de crendices absurdas no meio doutrinário, o pouco restante, estes sim estudam a Doutrina por muito amá-la.

7 – O filme que melhor descreve a vida no plano espiritual é o “Nosso Lar”.
  Os filmes que melhor descrevem o plano espiritual são os estrangeiros, destaco o filme “OS OUTROS” e também o filme “O SEXTO SENTIDO”, é claro que não são filmes doutrinários, por isso temos que separar o joio do trigo, por mais incrível que pareça são mais realistas que o Nosso Lar.

8-  O médium que possui grandes obras na caridade está imune a erros.
  Não existe médium infalível, por isso Kardec usou vários médiuns e comparava as comunicações entre eles e frequentemente os corrigia com sua brilhante inteligência e discernimento não devemos confiar em revelações feitas por um único médium.
  As obras são importantíssimas, mas estamos longe da perfeição.

9- Há animais no plano espiritual.
  O plano espiritual é um plano mental, onde cada qual entrará nele de acordo com seu estágio evolutivo, ou seja, de acordo com sua condição intelecto-moral, para estarmos no mesmo plano de um cachorro ou de um cavalo, teríamos de estar no mesmo nível dele ou ele do nosso.
  Depois da morte do animal, o principio inteligente que havia nele, fica em estado latente.

10- O melhor expositor espírita é aquele que leva a plateia as lágrimas com seu discurso brilhante de amor e caridade.
  Precisamos de expositores que afinam com Kardec e não de expositores enfatuados, com discursos brilhantes, mas que nada tem a ver com as obras fundamentais do espiritismo.

11- Nunca se deve elogiar os médiuns, nem qualquer trabalhador da Doutrina para não estimular a sua vaidade.
  O elogio sincero e verdadeiro, na medida certa é um bom estímulo a todos. O que se deve evitar são os elogios perniciosos, bajuladores.

12- Os médiuns devem fazer um curso de longos anos de preparação antes de começar a trabalhar na mediunidade.
  É comum um médium chegar à casa espírita, às vezes com grande perturbação e exigirem que ele faça longos anos de preparação antes de participar de um trabalho mediúnico, alegam que é preciso conhecer o processo mediúnico. Isso é falta de caridade, é o mesmo que alguém chegar num hospital e o médico exigir um curso de seis anos de medicina alegando que é preciso entender o corpo humano antes de ser atendido. Não seria melhor criar pequenos grupos de trabalhos preparatórios para atender estes casos imediatamente?


Escrito por Luiz Carlos da Silva

Junho de 2012

14 thoughts on “Os Mitos na Doutrina Espírita

  1. Comentário de Tadeu Sabóia em 30 junho 2012 às 0:17

    Concordo plenamente! E se posso contribuir aqui vai mais um mito:
    13. Não se deve fazer evocações em nenhuma situação.
    Em determinadas situações podemos e até devemos sim chamar determinado espírito pelo nome. Para quem tem alguma dúvida é só ler no Livro dos Médiuns os meios e as condições onde se é recomendado fazer evocações. Só o telefone de Chico Xavier é que toca de lá para cá, pois o telefone de todas as pessoas toca nos dois sentidos!

  2. Comentário de Elias Inácio de Moraes em 2 julho 2012 às 2:02

    Em linhas gerais, gostei de suas opiniões, especialmente em relação ao item 12, para o que Kardec recomendava se estabelecessem “Escolas de Médiuns”. Entretanto, estranhei muito o comentário do item 2, em que, além de considerar os livros psicografados por Chico Xavier como “leite para crianças” ainda afirma que “não servem para estudos”. Concordo que não se pode simplesmente considerar como a “continuidade da obra de Allan Kardec”, até porque são de natureza totalmente diferente. Mas simplesmente considerar que “não servem para estudos” me parece preconceituoso. É como se o autor, a priori, tivesse algo contra o trabalho mediúnico do Chico. Talvez esteja faltando a “simplicidade das crianças”, ou dos “pequeninos” de que fala Jesus, ou sobrando a exigência dos “doutos e prudentes”. Acho que são, sim, material extraordinário de estudos e reflexões, informações riquíssimas sobre o mundo espiritual, poemas de extraordinária beleza e riqueza moral incontestável que merecem ser estudadas pelas gerações futuras. Só não se pode imaginar que tudo o que se acha relatado sobre o mundo espiritual seja exatamente aquilo. Kardec recomendava aguardar a confirmação por outros espíritos e por outros médiuns, conforme o seu critério da universalidade dos ensinos. Fora disso, é preconceito gerando preconceito.

    1. Comentário de Luiz Carlos da Silva em 2 julho 2012 às 14:12

      Boa tarde irmão Elias, obrigado por ter lido o texto.
      Veja a força que tem o mito item 3, ele está no nosso subconsciente, é automático. Os livros psicografados pelo irmão Chico Xavier são diferentes e contraditórios com as obras fundamentais do Espiritismo.

      Um abraço

    2. Comentário de Tadeu Sabóia em 2 julho 2012 às 15:36

      Amado irmão Elias Inácio de Moraes, se você observar bem as obras psicografadas tem tantos erros doutrinários e tão graves que elas perderam toda a credibilidade quanto ao conteúdo espírita. O que sobra delas é o conteúdo romântico e de ficção. Aliás os romances mediúnicos nunca deveriam ter deixado de ser encarado pelos espíritas como romances e as obras ditas de estudo psicografadas, a caminho da luz por exemplo, nunca deveriam deixar de ser vistas como simples e somente opinião de alguns espíritos. Estas são apenas historias fictícias da mente dos espíritos que as psicografam e demonstrado está que não tem qualquer autoridade doutrinária no que diz respeito ao espiritismo. Por isso devem ser apenas um repositório de algumas historietas de cunho moral evangélico. Um bom exemplo de absurdo que passamos nos dias de hoje: “romances históricos”, meu Deus é um absurdo. Ou é romance ou é histórico. Isso é só para citar um exemplo do que está acontecendo em nosso Movimento Católico-Espírita Brasileiro.
      Gostaria de falar também sobre essa questão que o irmão tão bem coloca do futuro. Que seria possível que as gerações futuras encontrassem nessas obras algo de valor, mas devemos perceber que o progresso é sempre em frente e para cima, assim se hoje com o que temos de espiritismo, as obras de Kardec e alguns autores realmente comprometidos com o espiritismo, ex: J. Herculano Pires, Leon Denis e Deolindo Amorim, já observamos as incoerências doutrinárias contidas na imensa maioria das obras psicografadas imagine no futuro! Então no futuro eles hão de compreender melhor do que nós as obras de Kardec e tornar-se-á mais evidente os absurdos doutrinários das obras psicografadas de hoje.
      Desejo tudo de bom para você.

      1. Comentário de Elias Inácio de Moraes em 5 julho 2012 às 19:38

        Caro Tadeu, afirmar que, em virtude de possíveis erros doutrinários, as obras psicografadas “perderam toda a credibilidade quanto ao conteúdo espírita” não representa um consenso no meio espírita. Mesmo no meio científico o consenso, ou pelo menos a aceitação de uma tese pela grande maioria dos estudiosos, é fator fundamental. Essa pode ser a opinião de um segmento, mas não representa a visão do conjunto dos estudiosos do Espiritismo.
        Você afirma que são “somente opinião de alguns espíritos”. Pronto! É isso mesmo. São apenas informações de alguns espíritos que julgaram por bem trazer suas visões para o nosso ambiente. Algumas, sem dúvida são questionáveis. Nem por isso deixam de se constituir em informações relevantes para estudo. Era assim que Kardec procedia; reunia todas as informações e as comparava, procurando o que fosse concordante em termos de princípios.
        Além do mais, Kardec propunha um Espiritismo progressivo, que acompanhava as novas descobertas e mesmo as novas abordagens da ciência. Essa visão progressista somente se torna possível com a contextualização mediante novas informações, muitas delas também a serem obtidas via mediúnica, como Kardec fazia à sua época.
        Portanto, a meu ver, não faz muito sentido adotar como obras doutrinárias livros como Violetas na Janela e outros semelhantes, assim como não faz o menor sentido rejeitar toda a obra psicografada através de Chico, Divaldo, Ivone e outros reduzindo-as a “historietas de cunho moral evangélico”.
        Espiritismo requer estudo. Estudo significa examinar de tudo, os prós e os contras, como dizia Kardec, e buscar aqueles elementos que nos ofereçam alguma segurança para deduzirmos os princípios essenciais. Inclusive para estabelecermos novas deduções em relação a questões que não estavam postas à época de Kardec.
        Fora disso podemos estar cometendo excessos para qualquer dos dois lados. Abraço.

        1. Comentário de Tadeu Sabóia em 5 julho 2012 às 23:31

          Caro mano Elias felicidades para você,
          Quando você diz:

          “Caro Tadeu, afirmar que, em virtude de possíveis erros doutrinários, as obras psicografadas “perderam toda a credibilidade quanto ao conteúdo espírita” não representa um consenso no meio espírita. Mesmo no meio científico o consenso, ou pelo menos a aceitação de uma tese pela grande maioria dos estudiosos, é fator fundamental. Essa pode ser a opinião de um segmento, mas não representa a visão do conjunto dos estudiosos do Espiritismo. ”

          Talvez esteja esquecendo que o princípio fundamental do Espiritismo é que Allan Kardec e sua obra são o referencial teórico da doutrina espírita. O consenso máximo em matéria de Espiritismo é que tudo o que possa chocar ao bom senso, a razão, ou aos fundamentos doutrinários contidos na obra Kardequiana deve ser encarado como algo a parte do Espiritismo e não como complemento. Um complemento não pode contradizer o seu fundamento. Isso em qualquer ciência. Pode-se considerar como válidos conceitos contraditórios aos princípios fundamentais do Espiritismo contanto que se tenha a honestidade de se criar uma nova doutrina. Só não tem lógica aceitar teorias estranhas ao paradigma Kardequiano e chamar essas teorias de espiritismo.
          Um exemplo prático disso é que se Allan Kardec deixa claro, evidente e comprovado que não existe real necessidade de alimentação para os espíritos e André Luiz, contrariando essa comprovação de Kardec e dos espíritos superiores, toma caldinho reconfortante como uma necessidade real é obvio que esse autor não está escrevendo algo válida do ponto de vista do Espiritismo. Quem quiser acreditar nesse ponto de vista de André Luiz tem toda a liberdade, mas é mais do que evidente que isso é apenas uma crença destituída de valor doutrinário. Pois essa opinião de André Luiz não passou pelos critérios de validação criados por Allan Kardec para toda e qualquer revelação vinda dos Espíritos, quais sejam: Controle Universal do Ensino dos Espíritos, Razão e Lógica e o mais importante estar de acordo com os princípios já estabelecidos.
          Sobre o consenso só é necessário utiliza-lo quando pontos controversos ou duvidosos surgirem e que não tenham ainda citações nas leis já comprovadas. Vou mostrar a aplicação desse princípio do consenso, que a comunidade cientifica como um todo utiliza, dentro e fora do Espiritismo. Fora do Espiritismo podemos citar as leis de Newton. Não foi necessário consenso para se aceitar como leis as suas descobertas, ou revelações, pois ele mostrou evidencias bastante claras, assim a comunidade cientifica da época apenas aceitou, não foi necessária opinião dos outros cientistas eles apenas se renderam as evidencias, cálculos de Newton. No Espiritismo vou usar o mesmo exemplo da alimentação dos espíritos e mostrar que o consenso não pode validar contradições evidentes as leis demonstradas por Allan Kardec. Depois de demonstrado que os espíritos não têm real necessidade de comer, CUEE e razão, essa tese vira uma lei ou princípio fundamental. Depois um espírito ou um homem traz uma tese de que os espíritos, até os espíritos com uma evolução considerável, tem necessidade real de comer. O que devemos fazer com essa tese? Recorrer ao consenso? Não. É mais do que evidente que ela contradiz uma lei ou princípio fundamental Espirita e deve por tanto, à revelia de qualquer consenso, ser descartada como uma revelação falsa ou apenas uma mera opinião sem valor doutrinário algum. Simples assim.
          Claro que usei apenas o exemplo da alimentação dos espíritos, mas podemos encontrar várias outras contradições flagrantes com os princípios básicos do Espiritismo nas obras de André Luiz, Emmanuel, Joana e outras tantos por aí. Por isso afirmo que essas obras perderam completamente a credibilidade. Sem a necessidade de se recorrer a qualquer consenso.
          Outra observação sua:
          “Você afirma que são “somente opinião de alguns espíritos”. Pronto! É isso mesmo. São apenas informações de alguns espíritos que julgaram por bem trazer suas visões para o nosso ambiente. Algumas, sem dúvida são questionáveis. Nem por isso deixam de se constituir em informações relevantes para estudo. Era assim que Kardec procedia; reunia todas as informações e as comparava, procurando o que fosse concordante em termos de princípios. ”
          Certo. Concordo. E te pergunto: o que Allan Kardec fazia e recomenda fazermos quando achamos alguma contradição? Vindo de qualquer espírito, por qualquer médium? Descartar sem medo e sem receio o que seja contraditório aos princípios já estabelecidos. Simples assim. E o que a maioria dos Espiritas fazem quando é demonstrada contradições evidentes em obras mediúnicas? Seguem a recomendação de Kardec? Não. Só por que é de tal Espírito e por tal médium aí não devemos descartar. Onde está o critério Espirita? Onde a observância das recomendações de Kardec? Você inclusive cita violetas na janela, mas o critério de Kardec é claro, o pau que dá em “chico” tem que dá em Francisco, por que essa diferença de credibilidade entre o espirito de Patrícia e o espirito de André Luiz? Por que a diferença de avaliação de Chico Xavier e a de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho? Porque o que vem de Emmanuel deve ser aceito imediatamente como uma revelação e complemento de Kardec e o que vem de Ramatis deve ser descartado como um absurdo doutrinário, se em ambos os autores espirituais existem contradições flagrantes com os princípios fundamentais de Allan Kardec? Precisamos de mais coerência no movimento espirita. Sendo mais fiéis ao que professamos e menos parciais quando nos convêm para defendermos nosso ponto de vista. Isso é humildade e coragem da fé espírita. Ser fiel a Jesus e Kardec como Emmanuel ensinou. Doa a quem doer.
          Por fim o irmão observa:
          “Além do mais, Kardec propunha um Espiritismo progressivo, que acompanhava as novas descobertas e mesmo as novas abordagens da ciência. Essa visão progressista somente se torna possível com a contextualização mediante novas informações, muitas delas também a serem obtidas via mediúnica, como Kardec fazia à sua época. ”
          A velha e batida desculpa de que devemos aceitar um progresso do Espiritismo com essas revelações absurdas que vem das obras mediúnicas. Só esquece o irmão que para progredir é necessário critério. E Allan Kardec disse quais eram esses critérios: Descobertas comprovadas da ciência, não contradição com a leis já estabelecidas e Lógica. Daí te pergunto: Onde as obras mediúnicas de chico, Divaldo e os outros que são pura imitação obedecem a esses critérios para serem tidas como progresso do espiritismo? Vamos a alguns dados: Emmanuel em suas obras ditas históricas comete erros crassos de história, André Luiz comete erros terríveis de física, química e biologia em suas obras além de serem uma cópia triste de tratados científicos dos encarnados, Divaldo em suas obras psicológicas não diz nada que uns alunos medíocres de 2º ano de psicologia não saiba isso já tira a validade de serem um progresso para o espiritismo, pois não obedecem ao primeiro critério de Kardec. Quanto ao segundo critério as contradições doutrinarias dessas obras são claras e evidentes. Então meu irmão eu pergunto: esses romances e livros doutrinários psicografados são um progresso do Espiritismo? Está claro que não são. Para mudar as leis demonstradas por Kardec é necessário primeiro mostrar onde elas podem estar erradas para substituirmos por algo melhor, mas até agora nada apareceu nessas obras mediúnicas que pudesse ser considerado melhor ou pelo menos complemento ao que o trabalho brilhante de Kardec estabeleceu como princípios fundamentais do Espiritismo.
          Fica com Deus e aguardo sua resposta as minhas perguntas.

          1. Comentário de Elias Inácio de Moraes em 14 agosto 2012 às 12:32

            Caro Tadeu,
            Acho muito sensata a posição de Kardec na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo quando aponta cinco assuntos identificáveis nos Evangelhos: a vida cotidiana de Jesus, seus milagres, suas predições, os pontos adotados como dogmas pela igreja e, por último, o ensino moral. A respeito deste último ele afirma que é “onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaram das questões dogmáticas. Aliás, se o discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua própria condenação, visto que, na maioria, elas se agarram mais à parte mística do que à parte moral, que exige de cada um a reforma de si mesmo. ”
            Vejo que os modernos textos psicográficos, alguns deles passíveis de suspeita de animismo ou até mesmo de mistificação, obtidos pelos mais diferentes médiuns, famosos ou não, apresentam de tudo: revelações bombásticas sobre questões que a ciência sequer cogitou, informações discutíveis sobre o mundo espiritual, como a dos animais e dos alimentos, casamentos no mundo espiritual, retomada da teoria das almas gêmeas, e uma infinidade de outros pontos que não encontram sustentação na obra Kardequiana. Concordo com você que há muito material que mais confunde que esclarece e que não deve ser aceito de forma alguma como conteúdo doutrinário. Lamento mesmo que muitas “editoras” estejam publicando livros apenas com a finalidade de gerar receita.
            Em particular sobre a obra psicográfica do Chico, concordo com você que temos que adotar muita cautela com relação a aspectos históricos, incursões em temática de natureza científica, além das revelações questionáveis sobre o mundo espiritual. Mas penso que nem por isso precisamos rejeitar os textos que trazem um enfoque mais voltado para o terreno moral. Cito, como exemplo, a coleção Fonte Viva, que aprecio muito pelas reflexões em torno de fragmentos do Novo Testamento que, a meu ver, evidenciam uma sensibilidade especial do seu autor, auxiliando-nos a nos percebermos como seres Inter existenciais, para usar uma expressão de Herculano Pires. Admito que minha infância ficou mais bela e mais rica com a leitura de Os Filhos do Grande Rei, Alvorada Cristã, Cartilha do Bem, todos psicografados por Chico Xavier.
            Gosto muito de toda a obra psicográfica da Ivone Pereira, sem nenhuma restrição, que humildemente a apresenta como sendo o resultado de suas percepções mediúnicas a respeito das questões espirituais por ela presenciadas, e que tem contribuído enormemente com a disseminação das ideias espíritas e com uma maior compreensão da obra Kardequiana, sobretudo das questões relacionadas à mediunidade no cotidiano das atividades espíritas.
            Entendo que alguns estudos de Joana de Ângelis através de Divaldo Pereira Franco realmente representam uma contribuição interessante, como o livro AutoDescobrimento, que me foi muito útil como material de reflexão sobre mim mesmo. Que bom se mais psicólogos, encarnados ou não, puderem contribuir com reflexões nesse nível, voltados para nossa “transformação moral”, único critério admitido por Kardec para se reconhecer um verdadeiro espírita.
            Quanto ao material questionável, concordo com a sua preocupação com o fato de muitos companheiros de lide espírita tratarem como inquestionáveis informações obtidas por meio de um único espírito e por um único médium, ainda que este médium seja o Chico Xavier. De minha parte prefiro ficar com o que já se acha consolidado tanto do ponto de vista da obra Kardequiana quanto do ponto de vista científico da atualidade. Evito afirmações do tipo “sim” ou “não” a respeito de aspectos sobre os quais tanto o sim quanto o não se acham desprovidos de qualquer garantia, além de não fazerem a menor diferença sob o aspecto das suas consequências morais. Considero esses pontos apenas como “informações” para verificação a posteriori, mediante o critério da universalidade. Entendo prudente apresentar esses pontos, e apenas quando isso for necessário, como “informações” constantes na obra de tal ou tal autor espiritual.
            Há algum tipo de alimentação no mundo espiritual como afirma André Luiz? Posso garantir que não com base no que consta em O Livro dos Espíritos? E como fico diante da visão progressiva do Espiritismo proposta por Kardec? Prefiro deixar questões como essa em aberto, aguardando mais informações, até mesmo porque isso não fará diferença alguma do ponto de vista das consequências morais da Doutrina Espírita. Existem animais do outro lado da vida? E o que são os elementais? Eis aí outras questões complicadas para se responder com um sim ou um não ou para se emitir uma opinião conclusiva.
            Convém ainda considerar que algumas abordagens adotadas por Kardec, embora representassem o pensamento vigente na sua época, apresentam hoje uma outra roupagem, como a questão dos “fluidos”, do “magnetismo”, do “fluido cósmico universal”, a teoria da beleza, a sua perspectiva eurocêntrica. Muitos desses pontos receberam novas abordagens por parte da ciência, tanto da física quanto da astronomia, da antropologia, ao longo do século vinte. Isso sem contar os inúmeros avanços da psicologia, da psiquiatria, da genética, que impactam diretamente sobre muitos dos temas tratados por Kardec nos idos de 1860 e que carecem de ser contextualizados para nossa época, sob o risco de afirmarmos bobagens em palestras ditas espíritas.
            Não há como discordar do fato de que André Luiz contextualizou a questão dos fluidos e da teoria das partículas com uma abordagem mais de acordo com as descobertas da física no início do século XX. Há quem afirme que foi apenas o Chico, copiando autores da física moderna. Se isso aconteceu, então trata-se de um excelente trabalho de contextualização, apesar de alguns aspectos que nos levantam novas dúvidas, como o “psicoscopio”.
            Portanto, a esse respeito sou Paulino e Kardequiano: “Examina tudo; retenha o que for bom”, como aconselhava Paulo. Atermo-nos prioritariamente à parte moral, conforme recomendava Kardec. Acho que essas duas regras nos ajudam a buscar em tudo o que é essencial, o que converge com a obra Kardequiana, o que nos acrescenta em termos de percepção de nós mesmos. No mais, gosto de relembrar Kardec quando nos reconhece como Espíritas pela nossa transformação moral e pelos esforços que empregamos para dominarmos nossas más inclinações.
            Quanto aos aspectos polêmicos, o próprio Kardec recomendava que déssemos tempo ao tempo, para que novas informações viessem à tona esclarecendo melhor esses pontos. É de Kardec a afirmação, embora óbvia, que nenhuma teoria absurda se sustenta ao longo dos anos.
            Desse modo, entendo eu, estaremos priorizando a unidade do nosso movimento, mesmo diante da diversidade de opiniões, para que não venhamos a fazer dos próprios espíritas os maiores inimigos do Espiritismo, alimentando as dissensões mais do que reforçando os consensos.
            Jesus disse que os seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem. Esse amor, detalhado por Paulo alguns anos mais tarde na sua inesquecível carta aos Coríntios, é o que deve nortear nosso relacionamento uns com os outros, sobretudo em analisando o resultado do esforço mediúnico de inúmeros irmãos por este Brasil afora, que renunciam a si mesmos para servirem à Doutrina Espírita, motivados sobretudo pelo desejo de servir.
            Se formos amorosos na apreciação, no entendimento e no julgamento, com certeza saberemos separar o joio do trigo e, na época certa, identificaremos claramente os conteúdos que podem representar novas contribuições ao Espiritismo e o que teria sido apenas engano de uns ou outros dos seus militantes.

            Abraço.

  3. Comentário de Luiz Carlos de Araújo em 8 julho 2012 às 13:33

    Mais uma vez parabenizo o irmão Luiz Carlos da Silva, por mais um equilibrado artigo. O respeito as diferenças são fundamentais, mas não pode se sobrepor a base Kardecista. Quanto mais a ciência avança, mas nos mostra a coerência de Kardec e a “Poesia encantadora do Consolo”, trazida pela imensa maioria das obras hoje publicadas e a crendice dos católicos travestidos de espíritas. INSTRUÍ-VOS!

  4. Comentário de Tadeu Sabóia em 14 agosto 2012 às 13:32

    Amado irmão Elias Inácio de Moraes,
    Parabéns pelas suas ponderações e opiniões bastante coerentes. Ao contrário do que possa parecer eu compreendo o papel das psicografias modernas como forma de divulgação dos princípios espíritas. Digo isso porque outro dia uma forista perguntou-me se eu não achava útil as obras psicografadas, ao que respondi que são importantes e muito. Hoje falamos dos espíritos, da vida após a morte, de vida fora da terra, de reencarnação com uma naturalidade sem precedentes na história e eu atribuo uma parte dessa familiaridade do povo com o assunto às obras de Chico Xavier. Mas uma coisa é a vulgarização de uma ideia ou de uma doutrina e a outra é a permanência nessa superficialidade. O grande apelo que faço é para mergulharmos mais profundamente nesse imenso mar de conhecimentos que é a obra de Kardec. É um convite incessante a reflexão desapaixonada e séria das questões que parecem estar estabelecidas e não estão. O que proponho é uma discussão saudável e amigável de coisas como as que o irmão citou das polêmicas. É sair do lugar comum e confortável das revelações dos espíritos sem o crivo do senso crítico e da razão e nos levar de volta para a análise baseada nas obras de Kardec e nos ensinos de Jesus.
    As impurezas colocadas em uma fonte mineral tornam a água, fonte de vida, em uma substancia nociva à saúde. Da mesma forma a fonte pura dos ensinos de Jesus e Kardec devem ser preservadas de uma mistura ideológicas que poderia ser prejudicial a grande missão do Espiritismo: marcar uma nova era na história da humanidade. Se ainda não conseguiu ser o maior movimento cultural, científico, filosófico e religioso é devido a essas incoerências dos espíritas em relação ao espiritismo. Que continua sendo, como disse o grande mestre Herculano Pires, o grande desconhecido dos Espíritas.
    Fica com Deus e obrigado pela contribuição.

  5. Comentário de Armando Almeida em 23 novembro 2013 às 21:48

    Elias Inácio de Moraes eu concordo com o meu amigo.
    Vou ser sintético e cada um pense o que quiser…. Há uma história que relata um acontecimento que me marcou bastante.
    Um amigo que ao encontrar o Livro dos Espíritos evitou o suicídio e mandou a Allan Kardec a sua interessante e apaixonante história. Allan Kardec pela sua grandeza moral disse: Posso desencarnar amanhã mas vou feliz pois um dos objetivos foi alcançado com a minha obra.
    Eu não sei falar tão bem como vocês aqui…. Mas acho que se Allan Kardec fosse vivo não gostaria de tanto fundamentalismo de certas correntes no seio do espiritismo.
    Ao ver o Nosso Lar naquela parte que André Luís foi visitar a sua esposa e depois de algum constrangimento e atitude negativa perante o que estava a ver…. (Depois vocês devem saber o que aconteceu) …. Quando ele volta para traz e pede perdão a esposa e ajuda o namorado da doença… (o filme continua…) Eu sou um exemplo Vivo que posso testemunhar que esse filme mais precisamente nessa parte da atitude perante a esposa, mexeu tanto comigo que me ajudou bastante a resolver problemas que me estavam a deixar sem caminhos…. Por isso amigos e não alargando muito …. Eu acho que como o Elias disse: A vossa opinião não representa um consenso no meio espírita. E tudo que possa ser útil para salvar um irmão nosso acho que pode ser estudado sim. Claro sempre filtrando o trigo do joio, mas não serão vocês a definir essa divisão, será o bom senso e a razão, que só o tempo ajuizará. …. Quero aprender com Allan Kardec, mas sem sectarismos, nem farisaísmos. Abraços.

    1. Comentário de Tadeu Sabóia em 24 novembro 2013 às 1:18

      Amado irmão Armando é exatamente isso que estamos fazendo aqui: separando o joio e o trigo, com base em Jesus e em Kardec. Seja esse joio André Luís e CIA, ou seja, qualquer outro joio. E o espiritismo não precisa de consenso, como a física, a química ou qualquer ciência que não se baseia no voto ou na sua, minha ou opinião de ninguém. O Espiritismo é uma ciência e como tal ela não depende de nossa visão para ser o que é. Por exemplo: Não é porque todos juntos, unidos acreditamos em uma mentira que ela será uma verdade. Nós aqui apenas deixamos claro uma coisa e outra: o que é doutrina espírita e o que é opinião, seja de André Luís ou de qualquer outro encarnado ou desencarnado.
      A melhor forma de contribuir com a doutrina é deixando bem claro e de forma objetiva o que é pura opinião sem base no espiritismo e o que é espiritismo realmente. Doa a quem doer. E essa regra vale para mim, para você, para André Luís ou qualquer um que queira dizer algo contrário ao espiritismo sem provas e sem demonstrar que o contrário é melhor.
      A razão, o bom senso e as leis reveladas pelos espíritos superiores e por Allan Kardec são atemporais. O que é um contrassenso, uma irracionalidade, uma contradição e uma incoerência doutrinária hoje, foi ontem e será amanhã também. E quem faz essa divisão é o próprio espiritismo. A não ser é claro que você ou qualquer outro prove que sua teoria e sua posição contraditória é melhor do que a do espiritismo. O tempo já ajuizou desde 1857 e o próprio Emmanuel também ajuizou: Chico quando eu Emmanuel me afastar de Jesus e de Kardec fique com eles e me esqueça. É o que fazemos: quando Emmanuel, André Luís, Pedro, José ou qualquer uma disser algo contrário ao espiritismo sem provas e demonstrações ficamos com o espiritismo e esquecemos eles. Só isso.
      Fica com Deus e espero que continue participando dos debates.

  6. Comentário de Tadeu Sabóia em 24 novembro 2013 às 1:38

    Grande Elias as questões como alimentos, animais, casas, rios, montanhas, aerobus, sexo e outras coisas no mundo espiritual é possível sim afirmar que elas não existem como uma realidade do mundo espiritual baseado nos escritos, nas mensagens e nas leis trazidas pelos espíritos superiores e Kardec. Claro que essas coisas citadas acima podem ser a vivencia de um espírito ou de vários espíritos em seus apegos, limitações e materialidade. Podem ser as experiências vividas por esses espíritos em suas mentes e de forma psicológica que parecem para eles realidade, mas são apenas fantasias. Mas isso é muito diferente da realidade do mundo espiritual em si. Realidade essa bastante documentada e detalhada pelo espiritismo e assim não existe possibilidade de alguém acreditar nessas coisas baseado no espiritismo.
    Sobre a progressividade da DE o próprio Kardec falou sobre ele e disse como seria, quais os critérios, esse progresso. O progresso é feito baseado em fatos e em comprovações demonstradas por critérios bem específicos da própria DE. Ou da ciência. Claro que esse não é o caso do livro Nosso Lar e nem da maioria das revelações que estão por aí no MEB. Pois esse livro e essas psicografias nunca foram analisadas e validadas pelos critérios de comprovação da DE. Por isso permanecem até hoje como simples opiniões de espíritos. Não existe valor para a doutrina espírita como sendo progresso e nem complemento. Claro que como livros de autoajuda ou romances são excelentes e tem ajudado muita gente. Somente isso. O que já está de bom tamanho.

    Deus conosco.

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