Gnósticos – Hereges que Sabiam Demais!

Em meu livro, O Cristianismo de Yehoshú’a – A Busca pelo Evangelho Perdido, realizei um levantamento acerca dos principais grupos cristãos, considerados como hereges, que se desenvolveram à sombra da Religião Cristã entre os séculos II e III. Estes cristãos não fazem parte dos primeiros judeus que entraram em contato diretamente com Jesus, tão pouco são menos importantes por causa disso. São judeus da diáspora, são cristãos perseguidos pelas legiões de Roma, são pagãos convertidos a uma nova estrutura que envolve o paganismo com a mensagem de Jesus. O próprio Cristianismo que mais tarde, no século IV, o conheceremos como religião oficial, não escapou à influência da cultura e da religião pagã.
   A palavra pagã, vem do latim pagus, que designa uma zona rural, e paganus indicava uma pessoa que vivia nesta área rural, ou seja, um camponês. Todavia, os dicionaristas traduziram pagão de forma equivocada e induzida, como alguém que é “politeísta, idolatra e que não foi batizado como cristão”. Os pagãos foram miseravelmente perseguidos e exterminados pela Igreja Católica. Antes mesmo de sua oficialização no século IV, a Igreja por volta dos séculos II e III procurava banir de seus círculos religiosos os que não comungavam das mesmas crenças. Estas crenças com o passar dos anos foram tornadas dogmas e credos. No entanto, em meio a uma imensa crise interna, a Igreja foi quem recorreu a pagãos como Aristóteles e Platão para ressurgir, e através da intelectualidade de Tomás de Aquino fundamentou a sua teologia.    
  Hereges foram considerados todos os que tivessem crenças diferentes dos cristãos ortodoxos e que lessem livros não autorizados pela Igreja ou que ainda mantivessem suas práticas pagãs, mesmo que seguissem também os preceitos do Cristianismo. Estes cristãos tinham suas próprias cópias das narrativas da vida e da mensagem de Jesus. Seus encontros não tinham a fidelização à estrutura orientada pela Igreja nascente. Eram evangelhos que traziam histórias e estórias, um misto de verdade e de lendas sobre Jesus e seus leitores foram obrigados a queimá-los e outros foram escondidos em uma tentativa de se preservar uma mensagem que não deveria chegar ao povo.
   A Igreja ao fazer a separação do que realmente deveria ter espaço em sua estrutura dogmática e doutrinária no Concilio de Niceia, em 325 d.C., excluiu mais de 300 livros, e oficializou como canônicos apenas os quatro evangelhos atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João. A Igreja passou a perseguir estes cristãos hereges, considerados verdadeiras ameaças por serem detentores de uma visão divergente da Religião Cristã.
   Nos primeiros séculos da expansão doutrinária, os grupos que mais incomodaram os padres cristãos foram os gnósticos, os adocionistas, os ebionitas e os docetas. No entanto, irei me deter neste artigo apenas aos gnósticos. Os gnósticos acreditavam que Jesus era assistido por uma entidade espiritual chamada Cristo. Segundo esses cristãos, foi o tal do Cristo, quem realizou curas e “milagres”, e sem ele Jesus não teria caminhado sobre as águas, nem erguido paralíticos, muito menos multiplicado pães e peixes. Para os gnósticos, Jesus recebera ajuda deste ser enviado, expressamente por ordem de Deus para revelar ao Homem uma verdade capaz de libertá-lo da ignorância. Isto explica portanto, a origem do termo gnosis, conhecimento. Porém, quando Jesus foi preso e estava para ser crucificado, o Cristo fugiu e o deixou sozinho.
   Os textos gnósticos também foram enxertados nos evangelhos canônicos. Frases como “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, encontrada no evangelho de João expressa a busca pela gnose, típica influência deste grupo na organização dos textos tidos como sagrados.
   Há também outros textos que revelam a presença da filosofia dos gnósticos. Estes foram chamados de evangelhos apócrifos. O mais conhecido deles talvez, seja o evangelho de Tomé, aliás um belo livro. O suposto discípulo e autor foi conhecido como Tomé, o Dídimo, e segundo alguns, sua semelhança física com Jesus era tão impressionante que o colocaram como o irmão gêmeo do Nazareno. Um outro evangelho gnóstico é o de Felipe e como os demais, também foi escondido por cristãos egípcios durante a perseguição da Igreja, até porque é neste texto que aparece a indicação de Jesus casado com Maria Madalena, onde Felipe assevera que ele a amava mais do que aos outros seguidores, que a beijava com frequência, e também é nele que é citada a sua suposta filha. Foi desta obra que o escritor Dan Brown criou a espetacular ficção, O Código Da Vinci.
   No evangelho de Felipe há o nascimento da chamada Cristologia Separacionista. É o exato momento em  que o redator deste evangelho dissemina a ideia de que foi no instante da morte, enquanto Jesus estava na cruz que “ele foi dividido”, ou seja, Cristo abandonou Jesus. Porém, como ele (Jesus) foi “bonzinho” e não se revoltou, o Cristo voltou e o ressuscitou da sepultura para a vida eterna.
   Também no evangelho de Marcos encontra-se a influência dos gnósticos, especialmente na clássica passagem da morte de Jesus. Alguns estudiosos veem aqui, apenas a repetição de um Salmo, o 22:1. Realmente, isto é aceitável, considerando os inúmeros deslocamentos de passagens que foram feitos da Bíblia Hebraica para o Novo Testamento, e o maior motivo para isto foi o de criar a crença de que Jesus era o Messias esperado pelos judeus, e consequentemente o Salvador da Humanidade, do qual alguns profetas haviam falado. Ainda nesta passagem de Marcos, transcrita em aramaico, há a estranha frase atribuída a Jesus, “Eloí, Eloí, lamá sabactani?”, ou seja “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Aqui está para alguns pesquisadores uma das passagens que prova a interferência dos gnósticos nos evangelhos canônicos. Jesus estaria se questionando: “Depois de tudo que fiz e deixei que o Cristo fizesse, agora sou abandonado?”
   A leitura dos evangelhos, sejam eles canônicos ou apócrifos, deve seguir a uma análise atenta do ponto de vista histórico, especialmente levando em conta a época em que foram escritos, caso contrário serão realizadas leituras psicológicas, filosóficas e tantas outras enfadonhas, cheias de opiniões pessoais que são arrumadas de improviso, em uma tentativa muitas vezes leviana e precipitada de se popularizar Jesus como o único caminho de salvação de uma humanidade “pecadora”, bem como despontar de forma pretensiosa como a verdadeira explicação dos ditos de Jesus. E muitas vezes nem se preocupa em verificar se Jesus teria realmente, dito isto ou aquilo.
   Já li várias explicações afastadas do bom senso em relação a passagem da revolta de Jesus. Alguns cristãos já chegaram até a divulgar a ideia absurda de que, quem teria dito esta frase de abandono, na verdade foi um tal de Dimas, o bom ladrão, e quem ouviu, achou que ela teria vindo da boca de Jesus. E assim, desrespeitosamente, despreza-se a corajosa e trágica história dos que deram as suas vidas na divulgação e vivência de princípios que até hoje não são compreendidos, mas que se foram perseguidos e escondidos é porque devem conter ao menos alguma verdade que incomode aos Senhores da Fé.

Liszt Rangel

8 thoughts on “Gnósticos – Hereges que Sabiam Demais!

    1. Comentário de Franciene Gonçalves em 16 julho 2013 às 16:32

      Ótima contribuição Paulo!

      E mesmo os “originais gregos” sofreram alterações e manipulações, vejamos o que diz o texto, Os Docetas e um Jesus de Fluidos:

      Os próprios evangelhos estão repletos de passagens que foram acrescentadas e mudadas para que a Igreja respondesse aos ataques dos diversos cristãos tidos como hereges. Uma das passagens está nos atos dos apóstolos, com autoria supostamente atribuída a Lucas, quando ele afirma que Jesus teria passado 40 dias com os discípulos após a ressurreição, porém no Evangelho atribuído ao mesmo Lucas, o apóstolo entra em contradição quando diz que Jesus ascendeu aos céus com corpo e tudo logo após a ressurreição.
      Então, ficou ainda algum tempo entre seus amigos, ou foi logo sentar-se à direita do Pai? Em que ou em quem finalmente devemos acreditar? No Lucas dos Atos, ou no Lucas do Evangelho?
      O que devemos compreender em verdade é que a simples colocação que Jesus subiu aos céus com corpo, justifica o desaparecimento do mesmo e ainda responde aos docetas, dizendo-lhes: “Ele era de carne, pois assim é preciso para que acreditemos na ressurreição da carne!” Ou seja, a tese do corpo fluídico ameaça inclusive a ideia da salvação cristã, a de que ele veio ao mundo, sofreu e morreu para a redenção da Humanidade.
      E sabe o que é mais curioso? É nos dias de hoje alguém lançar uma obra que tenha como finalidade traduzir os Evangelhos e ainda vir a público dizer que a tradução foi feita dos originais em grego. Qual grego?
      Quais originais?
      Já tive a oportunidade de em meus escritos, quer aqui no blog quer em meus livros revelar uma pesquisa que levou mais de 30 anos para ser divulgada, como fruto de um trabalho cansativo entre exegetas, críticos textuais, teólogos e historiadores, que prova que menos de 10% dos evangelhos, reunindo fatos e ensinamentos pertencem realmente a Jesus. Ao mesmo tempo, mais de 90% é o resultado de manipulações, enxertos, deslocamentos de passagens, acréscimos posteriores e adulterações.
      E você ainda acredita em originais dos evangelhos?

      1. Comentário de Marzio Casagrande em 18 julho 2013 às 12:31

        Prezada amiga Franciene, bem-vinda este teu post… É bem que se saiba que não podemos aceitar de pronto tudo que é dito pelos homens em nome de Deus, é bom sabermos distinguir a Fé da Igreja, do credo da religião. As primeiras são frutos da nossa essência divina, o sopro que nos criou, as segundas da nossa vontade de manifesta-las. Pois ao querer manifestar, com certeza usamos de artifícios bem explicados em teu artigo e comentário acima, por vezes políticos, sectários e pior quando vaidosos… Obrigado adorei este post, no espiritismo existe o Cristo Cósmico, e não é essencialmente Jesus.

        1. Comentário de Franciene Gonçalves em 18 julho 2013 às 17:20

          Amigo Marzio Casagrande, a fé raciocinada nasce da liberdade de pensar, mas a fé cega aprisiona o ser, impossibilitando esta mesma liberdade, conduz a criatura à uma condição de escravo, por isso é mesmo importante buscar informações…
          A evolução humana exige conhecimento e autoconhecimento quando temos este propósito de autoconhecimento a crítica é sempre bem-vinda, pois geralmente não conseguimos ver nossos defeitos…. Sendo assim temos também, o dever de fazê-las, quando o propósito é nobre, a busca da verdade.
          Para aqueles que já possuem o objetivo de autotransformação, uma força os impulsiona, esta força se chama vontade, podemos cair, nos enganar por diversas vezes, mas chegaremos lá, cada um encontra um caminho próprio, portanto as informações são infinitas, mas as conclusões e as escolhas devem ser pessoais. Isto, é ser livre! O importante é querer evoluir! Este é o primeiro passo…
          Obrigada!

          PS.: permita esclarece, pois faço questão, que os artigos postados neste blog do KO não são meus e todos eles contêm o nome do autor ou autora. Acredito na importância destas informações para o desenvolvimento da fé raciocinada e para desmistificação da fé cega, por isso posto aqui, nesta rede.

          1. Comentário de Marco Aurélio F. Xavier em 11 agosto 2013 às 11:47

            Cara Franciene Gonçalves, a linguagem tem armadilhas que podem nos desviar do que realmente queremos dizer, mas às vezes expressamos com fidelidade o que pensamos (ou percebemos), e acaba por revelar uma percepção parcial acerca da nossa relação com a espiritualidade. Onde quero chegar? No texto citado parece haver uma dicotomia “fé raciocinada” x “fé cega”, o que leva a crer que aquilo que não é fé raciocinada é automaticamente fé cega. A rigor há uma explanação sobre a primeira, e depois sobre a segunda, mas não cita nada sobre as demais possibilidades, embora o restante do texto sugere classificar como fé raciocinada.
            Onde fica a fé experimentada, ou fé sentida?

            Marco.

            Ps. Ao buscar a definição de politomia e dicotomia, encontrei um texto que não tem necessariamente a ver com o assunto, mas é um texto interessante, veja a seguir:

            Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dicotomia

            Dicotomia de dicótomo. s. f., divisão em duas partes; classificação que se baseia na divisão e subdivisão sucessiva em dois; fase em que a Lua apresenta metade do seu disco. Bem e Mal

            [Do gr. dichotomía.] Substantivo feminino.

            Método de classificação em que cada uma das divisões e subdivisões não contém mais de dois termos. [Cf. politomia.]
            Repartição dos honorários médicos, à revelia do doente, entre o médico assistente e outro chamado por este.
            Astr. Aspecto de um planeta ou de um satélite quando apresenta exatamente a metade do disco iluminada. [Ocorre na quadratura.]
            Lóg. Divisão lógica de um conceito em dois outros conceitos, em geral contrários, que lhe esgotam a extensão. Ex.: animal = vertebrado e invertebrado.
            Bot. Tipo de ramificação vegetal em que a ponta do órgão (caule, raiz, etc.) se divide repetidamente em duas porções idênticas, e que é próprio dos talófitos e briófitos, sendo muito raramente observado nas plantas floríferas; dicopodia.
            Teol. Princípio que afirma a existência única, no ser humano, de corpo e alma.
            A dicotomia corpo/alma possui uma problematização muito antiga que começa há mais de quatro séculos antes de Cristo, onde na maioria filósofos gregos (principalmente Platão, Sócrates e Aristóteles) viam a alma como o lugar privilegiado da razão, da sabedoria e da ciência. Eles com suas teorias optam pela mente, e ao corpo constroem significados que diminuem sua importância na sociedade da época. O corpo então é visto como secundário ao progresso humano que levava a alma ao erro e ao enfraquecimento do pensamento. A visão idealista sobre o mundo sistematizada a partir de Platão contraditoriamente cria escolas filosóficas materialistas e individualistas como, por exemplo, os cìnicos,epicurismo, ceticismo e estoicismo.Dentre os pensamentos a cerca de corpo cito dois pensamentos, um de Aristóteles e outro de Anaxágoras que confirmam a importância da mente na formação do indivíduo:“Nada caracteriza melhor o homem do que o fato de pensar” “Tudo era um caos até que surgiu a mente e pôs ordem nas coisas” (Teles, 1972, p. 13). Dentro deste raciocínio sobre corpo o sentido de liberdade para os filósofos gregos estava diretamente ligado com a busca do LOGOS. Outros filósofos buscavam se apoiar tanto na busca do conhecimento quanto na elevação da alma. Pitágoras (582-497 a. C) foi um destes filósofos que segundo Aristóteles se ocupou primeiro da matemática e da aritmética e depois do misticismo e religião. A reencarnação da alma era uma realidade em sua vida, e dentro de seus conhecimentos buscou acrescentar a espiritualidade aos ensinamentos filosóficos (Chaves, 1998, p.30).

            Platão (427-347 a. C) também possui uma grande afinidade pelas coisas não materiais acreditando na existência de um mundo de ideias onde o nosso conhecimento sobre a realidade seria apenas uma cópia da verdade sobre as coisas. Nós estamos apenas percebendo as sombras das coisas e não o real que seria a ideia das coisas.O conhecer seria apenas um reconhecimento já que estamos sempre reencarnando.

            A transcendência da alma criada pelos filósofos idealistas, de certo modo cria uma maneira de ver a vida que influenciava diretamente sobre a inferioridade do corpo. Este corpo esta a serviço da alma submisso a interesses divinos e, sobretudo deverá passar por várias vidas mundanas para alcançar e purificação necessária à evolução espiritual.

            A dicotomia alma/corpo perdura com vários outros filósofos da antiguidade em todas as partes do mundo mostrando a dificuldade de aceitar o corpo como situação e necessidade de manter contato com a realidade, e definir suas percepções e subjetividades dentro das relações entre homens e natureza.

            Bibliografia

            CHAVES, José dos Reis. A reencarnação segundo a bíblia e a ciência. São Paulo, Martin Claret, 1998.
            TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo de filosofia. São Paulo, Ática 8a ed, 1972.
            MEDEIROS, Simone Doglio. Apostila de filosofia. 2000.

  1. Comentário de Marco Aurélio F. Xavier em 11 agosto 2013 às 11:00

    O Cristo Cósmico é uma faixa vibratória, a mais elevada que podemos conceber, acima disso foge completamente à compreensão humana (racional, e portanto limitada), é o que podemos conceber mais próximo a Deus. Deus, em sua infinitude em todos os aspectos, foge à nossa compreensão. Entramos em êxtase quando alcançamos uma pequena amostra deste Ser, não temos palavras para descrever essas experiências…
    Jesus a meu ver é uma das pessoas, que conhecemos através de relatos, que alcançou o “Estado Crístico”, o que não foi sem esforço. Daí, Jesus, o Cristo!
    Não tenho conhecimento do espiritismo, e não sei se há algum alinhamento entre a forma em que compreendo a espiritualidade e O Espiritismo, portanto invoco a prerrogativa do leigo, livre para querer e buscar, e expressar livremente o que sente.

    1. Comentário de Tadeu Sabóia em 11 agosto 2013 às 17:52

      Estimado irmão Marco. Jesus para o Espiritismo pode ser entendido, de forma resumida, segundo a seguinte questão do livro dos Espiritos:

      “3ª PARTE CAPÍTULO I DA LEI DIVINA OU NATURAL

      Origem e conhecimento da lei natural

      625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?

      “Jesus.”

      A.K.: Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.
      Quanto aos que, pretendendo instruir o homem na lei de Deus, o têm transviado, ensinando-lhes falsos princípios, isso aconteceu por haverem deixado que os dominassem sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regulam as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos hão apresentado como leis divinas simples leis humanas estatuídas para servir às paixões e dominar os homens.”

      Essa definição de Estado Crístico, como qualquer tipo de classificação, fica por conta da referencia que baseia o estudo. Ou seja para o espiritismo a classificação dos espíritos esta bem definida nas questões de 100 a 113 do Livro dos Espíritos que não vou colocar aqui por ser um tanto extensa. E para mim Jesus pertence a classe dos espíritos puros.

      A seguir para a sua própria comparação coloco as características de um espirito puro:

      “Livro dos Espiritos.
      Primeira ordem – Espíritos puros
      112 Características gerais – Não sofrem nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos Espíritos das outras ordens.
      113 Primeira classe. Classe Única – Passaram por todos os graus da escala e se libertaram de todas as impurezas da matéria. Tendo atingido o mais elevado grau de perfeição de que é capaz a criatura, não têm mais que sofrer provas nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, a vida é para eles eterna e a desfrutam no seio de Deus.
      Gozam de uma felicidade inalterável por não estarem sujeitos nem às necessidades, nem às variações e transformações da vida material. Mas essa felicidade não é de uma ociosidade monótona passada numa contemplação perpétua. São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam todos os Espíritos que lhes são inferiores, ajudando-os a se aperfeiçoarem e lhes designam missões. Assistir os homens em suas aflições, incitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os afastam da felicidade suprema é para eles uma agradabilíssima ocupação. São chamados, às vezes, de anjos, arcanjos ou serafins.
      Os homens podem entrar em comunicação com eles, mas presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.”

      Fica com Deus meu irmão.

    2. Comentário de Franciene Gonçalves em 11 agosto 2013 às 14:33

      Tudo bem Marco Aurélio! Estamos estudando e sua contribuição é muito importante!

      “Eu não acredito em Deus, sei que ele existe” (Carl Jung).

      Vou te responder conforme o meu entendimento de fé. A fé não permite a dúvida. A fé é uma certeza, algo que sabemos. Aquilo que chamamos de fé cega, na verdade é tudo que nos foi passado como sendo a verdade, sem nos permitir analisar, são paradigmas impostos através do medo e da ilusão, que acabamos por assimilar como se viesse de dentro de nós, a começar por essa ideia de fé, sempre associada a religião, a Igreja. Geralmente nos abandona quando mais precisamos, porque não tem raízes profundas…

      Fé raciocinada, conhecimento adquirido pela razão, pelo entendimento. É a casa construída sobre a rocha, inabalável…
      Já dizia Buda “O conflito não é entre o bem e o mal, mas sim entre o conhecimento e a ignorância”.
      Como te falei no início, estamos estudando e somos livres para escolher os caminhos, então continue com a fé que você necessita para ampliar os seus conhecimentos.

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