Atlântida e Lemúria Existiram?

Ilustração de Atlântida

Atlântida 

Em “Os Exilados da Capela”, Edgar Armond desenvolveu uma idéia já presente em A Gênese: a Raça Adâmica.
  Legiões de espíritos oriundos de mundos avançados teriam perdido o direito de lá reencarnarem por serem retardatários em seu progresso moral.
   Como forma de “regeneração”, foram degredados em mundos que ensaiavam os primeiros passos da vida inteligente, onde teriam uma encarnação bem mais áspera e também a oportunidade de acelerar o progresso de seus habitantes.
   Um desses foi a Terra.
   Armond advogava (baseado em “relatos mediúnicos”) que tal migração ocorrera a partir de um planeta do sistema solar da estrela Capela, situada na constelação de Cocheiro, “uma estrela inúmeras vezes maior que o nosso Sol e, se este fosse colocado em seu lugar, mal seria percebido por nós, à vista desarmada” (cap. I).
   Bem tirando o fato de uma estrela grande demais consumir seu combustível de forma extremamente rápida, tornando o aparecimento da vida complexa em seu sistema um tanto improvável (quanto mais a inteligente), continuemos.
   A migração dos capelinos teria se iniciado já nas últimas eras glaciais, num período por ele denominado “1º ciclo”.

A migração dos capelinos teria se iniciado já nas últimas eras glaciais, num período por ele denominado “1º ciclo”.
Um mapa de como seria o mundo àquela época:

Parte dos capelinos teria se tornado os constituintes da terceira e quarta raça de “atlantes”.
  Seres mais avançados em relação aos demais habitantes do planeta e dotados de poderes psíquicos.
Fizeram mal uso destes dons para fins de conquista e dominação.
   Sua corrupção e abuso de poder provocaram cataclismos que arrasaram o continente e levaram à dispersão dos sobreviventes de três sub-raças atlantes: toltecas, acádios e semitas.
   Afinal, há alguma coisa de verdade no mito de Atlântida?
   Antes da teoria da deriva continental, estipulada em sua forma moderna por Alfred Wegener em 1912, os paleontólogos tinham tremendo abacaxi para descascar: fósseis da mesma espécie eram encontrados em sítios de continentes distintos, separados por vastos oceanos.
   Como eles cruzaram tais distâncias?
   A primeira resposta dada foi a hipótese das “pontes continentais”: grandes massas de terra, agora submersas, que ligariam os continentes, permitindo um fluxo de populações.
   Um dos primeiros “grandes continentes perdidos” propostos foi Lemúria, sugerido em 1864 pelo zoólogo Philip Sclater num artigo ao Quarterly Journal of Science, [vol. I. p. 215].
   Seu objetivo era explicar disparidade entre a ampla distribuição dos fósseis de antigas populações de lêmures (daí Lemúria) – encontrados pela orla do oceano Índico – e os exemplares atuais desses primatas, que estão restritos à ilha africana de Madagascar.
   A hipótese das pontes continentais sofreu refinamentos conforme outros registros fósseis eram descobertos e, em meados do século passado, a seguinte configuração para os continentes antigos era aceita:

Distribuição de terras durante o carbonífero, segundo a antiga hipótese das pontes continentais. Fonte: Enciclopédia Labor, vol I, cap. V

Tem-se uma ilustração relativamente semelhante à de “Exilados..”, mas esta semelhança é ilusória, pois figura representa a Terra do período geológico conhecido como carbonífero (de 360 a 286 milhões de anos atrás) e a de Armond já data do pleistioceno (1,8 milhão de anos a 11.000).
   A hipótese das pontes, por sinal, supunha uma distribuição geológica próxima à atual já no Terciário superior (paleoceno e eoceno – 65 a 35 milhões de anos) já mostram uma distribuição próxima à atual.

Distribuição de terras durante o terciário inferior, segundo a antiga hipótese das pontes continentais. Fonte: Enciclopédia Labor, vol I, cap. V

Embora Armond não tenha dado bibliografia clara, pode-se cogitar que bebera água de alguma fonte relacionada à teosofia.
   Madame Blavatsky, a fundadora dessa seita ocultista, expôs sua versão de antropogênese no segundo volume de obra Doutrina Secreta, em que não só toma emprestado o continente de Lemúria, mas também a usa a mítica Atlântica e o suposto continente Hiperbóreo.
   Ela também apresenta parte do vocabulário usado por Armond como “Raças-Mães” (Root Races ou “Raças-Raizes” ) e suas respectivas sub-raças.
   Esses continentes perdidos ganharam um maior desenvolvimento em The Lost Lemuria (“A Lemúria Perdida”, 1904) e The Story of Atlantis (“A História de Atlântida”, 1896), ambos de autoria do também teósofo William Scott-Elliot.
   Além de informações geológicas, esses livros fornecem dados sobre a suposta história e costumes dos antigos habitantes, bem algumas evidências para esses continentes, que eram baseadas pressupostos científicos da época. O conteúdo antropológico, porém, ficou apenas assentado em alegados poderes de clarividência:
   Na verdade, não há limite aos recursos da clarividência astral na investigação a respeito da história passada da Terra, seja o caso de estivermos envolvidos com os eventos que ocorreram à humanidade nas épocas pré-históricas ou com o próprio desenvolvimento do planeta ao longo dos períodos geológicos anteriores ao advento do homem, ou com eventos mais recentes, narrativas atuais que têm sido distorcidas por historiadores descuidados ou perversos.
   A memória da Natureza é infalivelmente acurada e inexaustivamente precisa.
   Tão certo como a precessão dos equinócios, chegará um tempo quando o método literário de pesquisa histórica será posto de lado como ultrapassado, no caso de toda obra original.(…) The Story of Atlantis, prefácio à primeira edição.
   Scott-Elliot talvez tenha se deixado levar por um excesso de otimismo, pois o tempo seria cruel para a credibilidade de Lemúria e Atlântida.

Mapas Lemurianos de Scott-Elliot 
Em vermelho, terras lemurianas. Azul, antigas terras Hiperbóreas (Ártica, Báltica e Sibéria). 
Mapas Lemurianos de Scott-Elliot 
Em vermelho, terras lemurianas. Azul, antigas terras Hiperbóreas (Ártica, Báltica e Sibéria). 
Entre 1 milhão e 800 mil anos atrás. Entre 800 mil e 200 mil anos atrás.
Entre 1 milhão e 800 mil anos atrás. Entre 800 mil e 200 mil anos atrás.
Entre 200 mil e 80 mil anos atrás. Entre 80 mil e 11 mil anos atrás.
Em vermelho, territórios de formação temporal idêntica a atlante. Em verde, territórios de outras eras (hiperbóreas e lemurianas).
Entre 200 mil e 80 mil anos atrás. Entre 80 mil e 11 mil anos atrás.
Em vermelho, territórios de formação temporal idêntica a atlante. Em verde, territórios de outras eras (hiperbóreas e lemurianas).

O Fim das Pontes Continentais   

As figuras sobre as Pontes Continentais que foram extraídas da Enciclopedia Labor pertencem a uma edição de 1957, portanto são contemporâneas à primeira edição de “Exilados” (1951) e bem anteriores à morte de Armond (1982).
   As figuras estão lá mais como uma curiosidade, pois essa enciclopédia dá realmente mais ênfase na teoria de Wegener da deriva continental.
   Todos os continentes estiveram uma vez unidos num só (Pangeia), que teria se fragmentado inicialmente em dois (Laurásia, ao norte, e Gondwana, aos sul) e depois nas massas continentais modernas.
   Tal ideia conseguia não só explicar a distribuição dos achados fósseis, como a formação geológica contínua entre os blocos separados e o impressionante ajuste do litoral dos continentes modernos.

Pangeia e a distribuição de fósseis no triássico (200 milhões de anos)

No entanto, por ocasião da morte de Wegener (1930), sua teoria possuía uma grande lacuna: não explicava que forças realmente moviam os continentes de forma satisfatória.
   A resposta definitiva só veio em 1962, com a descoberta da “tectônica de placas”.
   A crosta terrestre não é inteiriça, mas dividida em seis “placas” geológicas principais e outras menores que flutuam sobre o magma do manto.
   Suas fronteiras são delimitadas pelas dorsais e fossas oceânicas.
   No manto, surgem correntes de convecção provocadas pelo calor mais intenso no núcleo terrestre, que produziria correntes ascendentes parcialmente afloradas em ambos os lados das dorsais oceânicas e descendentes nas fossas oceânicas.
   Tanto o é que as rochas mais recentes se encontram junto às dorsais e a idade delas aumenta à medida que se afastam em direção às fossas.
   O assoalho oceânico se expande junto às dorsais e é reabsorvido pelo manto nas fossas. Os continentes são arrastados como pratos deslizantes durante o ciclo convectivo.

Tectônica de Placas
Tectônica de Placas

Agora vamos a uma análise pormenorizada dos “argumentos armondianos” em prol de Atlântida (cap. XIV de “Exilados”).
  · No fundo do Atlântico foram encontradas lavas vulcânicas cristalinas, cuja congelação era própria de agentes atmosféricos, dando a entender que o vulcão que as expeliu era terrestre e o esfriamento de lava se deu em terra e não no mar.
   Resposta: Isto é perfeitamente factível durante a cisão de uma placa, antes que a água do mar invada a parte nova do assoalho oceânico. Mas não é por isso que as antigas terras desabam.

Formação de uma dorsal oceânica
O fundo oceânico. Ao centro, a Dorsal Meso-Atlântica

Ela foi formada na junção de placas por material que vem sendo expelido há milhões de anos.
   Eu disse EXPELIDO, não sugado.
   O veredicto da geologia é claro: não houve nenhum continente Atlântico, nem civilização chamada Atlântida [Feder, cap. VIII, p. 202].   · Os homens de Cro-Magnon eram do tipo atlante, muito diferentes de todos os demais, e só existiram na Europa ocidental na face fronteira ao continente desaparecido mostrando que é dali que vieram.
   Resposta: É crescente a admissão da tese que os primeiros Humanos anatomicamente modernos vieram da África. Os Cro-Magnons chegaram à Europa vindos do lado oriental.   · Os crânios dos Cro-Magnons são semelhantes aos crânios pré-históricos encontrados em Lagoa Santa, Minas Gerais (Brasil).
   Resposta: A reconstituição do crânio de uma representante típica do “povo da Lagoa Santa” revelou algo impressionante: ela tinha traços negroides!
   Os índios não foram os primeiros habitantes do lugar, muito menos o europeus Cro-Magnons.
   Esta representante foi chamada de Luzia, em homenagem a um famoso achado fóssil: Lucy, o esqueleto mais completo da espécie Autralopithecus Aferensis.

Luzia, a primeira brasileira.

O idioma dos bascos não tem afinidade com nenhum outro da Europa ou do Ocidente e muito se aproxima dos idiomas dos americanos aborígines.
   Resposta: Segure-se na poltrona com o que vou falar: o inglês é parecido com chinês! Sim, são duas línguas em que a separação entre as classes gramaticais é bastante fluida, podendo uma mesma palavra ser utilizada ora como substantivo, ora como adjetivo ou verbo.
   Agora, volte à calma, pois eu esqueci de falar as diferenças: o chinês é uma língua tonal, com predominância absoluta de monossílabos; características que o inglês não possui.
   Sem contar que a história das línguas é radicalmente diferente.
   Em suma, isso é um exemplo de comparação descabida em que se ressalta apenas o que interessa e se esconde o destoante.
   O idioma basco, de fato, é um “corpo estanho” no meio das línguas indo-européias que o circundam.
   Ele deve ser o sobrevivente de idiomas falados na península ibérica antes da chegada de celtas e romanos, mas sua origem ainda permanece um mistério.
   Muitas comparações entre o basco e línguas ameríndias são feitas apenas por palavras que soam parecido, mas têm escritas e significados diferentes.
   Como por exemplo, umiak, que em esquimó significa “canoa para toda a família”, e umeak, que em basco é usado para designar crianças (*).
   Um exemplo fora do basco, foi a afirmação pelo Meso-americanista Pedro Armillas que a palavras latina ocelli (olhinhos) lembra pequenas manchas e em nahuatl, a língua dos Astecas, um gato malhado é um ocelot [Feder, cap.VI, p. 122].
   Tais comparações palavra a palavra podem forçar similaridades em línguas que não têm nenhuma conexão histórica!
(*) Extraído de “Os Grandes Mistérios da Ciência”, encarte de Superinteressante, outubro de 2003, pág. 13, “De onde vem o idioma basco?”.
   · Há pirâmides semelhantes no Egito e no México, e a mumificação de cadáveres praticada no Antigo Egito também o era no México e no Peru.
   Resposta: Mais um exemplo de mostrar semelhanças e esconder disparidades.
   Há grandes diferenças entre as pirâmides egípcias e as americanas.
   As pirâmides do Novo Mundo são truncadas com topos achatados, ao passo que as egípcias são “pontudas”.
   Pirâmides americanas possuem escadas ascendentes em suas faces; as egípcias, não.
   As americanas serviam de plataformas para templos e muitas também eram câmaras funerárias para seus líderes; as egípcias não possuíam templos e eram apenas sepulturas para o faraó e suas esposas.
   Os métodos de construção também eram diferentes; as egípcias eram feitas em etapa única, ao passo que as americanas tinham várias etapas, em geral, representando construções justapostas uma sobre as outras.
   Finalmente, se as pirâmides americanas e egípcias tivessem a mesma origem em Atlântida (ou qualquer ou buraco), era de se esperar que datassem do mesmo período.
   Entretanto, as egípcias datam sua entre 5.000 e 4.000 anos atrás; já as americanas não são a 1.500 anos.
   Ambas são bem mais recentes que o desaparecimento de Atlântida (há 11.000 anos, pela datação Platão).
   É possível traçar um desenvolvimento autóctone da tecnologia egípcia para a construção de pirâmides.
   Agora, uma pergunta: a técnica de mumificação era a mesma?
   · Também se verificou que o fundo do Atlântico está lentamente se erguendo: a sondagem feita em 1923 revelou um erguimento de quatro quilômetros em 25 anos, o que concorda com as profecias que dizem que a Atlântida se reerguerá do mar para substituir continentes que serão, por sua vez, afundados, nos dias em que estamos vivendo.
   Resposta: Estamos esperando. Atlântida: a lenda segundo Platão   A primeira menção à Atlântida aparece no diálogo filosófico “Timeus” de Platão. Ela é descrita por Crítias, avô materno de autor (que provavelmente não estava vivo, sendo o diálogo fictício). A história teria sido repassada pelo avô de Crítias (de mesmo nome), que teria ouvido do pai dele, Drópides. Este a recebera do sábio grego Sólon, que por sua vez ouvira sacerdotes egípcios.
   Um relato em primeira mão, sem dúvida (sic).
   A história contada pelos sacerdotes seria a do maior feito dos antigos atenienses.
   Nove mil anos antes de sua época, uma força poderosíssima vinda de além das “Colunas de Hércules” (estreito de Gibraltar) avançou sobre a Europa e a Ásia, eles possuíam uma armada de 12.000 navios e um exército de 10.000 carruagens.
   Os sacerdotes disseram a Sólon o nome desse poder do oceano Atlântico: a nação de Atlântida. Os atlantes eram descendentes dos dez filhos do deus Poseidon com uma mortal.
   Construíram formidável civilização, mas a medida que seu sangue divino foi se diluindo, tornaram-se cruéis e sedentos de dominação.
   Os únicos que fizeram frente aos atlantes foram aos antigos atenienses.
   Após os invasores terem varrido todo o norte da África até o Egito, foram derrotados em batalha por uma força menor, mas cheia de patriotismo e virtude.
   Após este fracasso, toda a Atlântida foi destruída numa série de terremotos e enchentes que, infelizmente, também destruiu os antigos atenienses.
   Agora considere a história que Platão conta pela boca de Crítias: um império longínquo, tecnologicamente sofisticado, mas moralmente arruinado e perverso – Atlântida – tenta a dominação mundial pela força. A única coisa a ficar no seu caminho é um relativamente pequeno grupo de pessoas espiritualmente puras, com princípios morais e incorruptíveis – os antigos atenienses.
   Superando a desvantagem tecnológica e numérica, os atenienses são capazes de derrotar um adversário muito mais poderoso simplesmente através da força de seus espíritos.
   Isto te lembra algo? “Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…”
   Sim, Atlântida é uma fonte de inspiração para a “Guerra nas Estrelas” de George Lucas. Platão situou os fatos 9.000 antes de sua época numa região quase desconhecida (o oceano Atlântico). A sofisticada e dominadora Atlântida remete ao Império Galáctico, com sua Estrela da Morte.
   Os atenienses lembram a Rebelião liderada por Lea e Luke Skywalker. Ambos são vitoriosos não por uma superior capacidade militar, mas porque a “Força” (Virtude) estava com eles. Mas as narrativas são mitos: servem para entreter e dar lições morais e são igualmente fantásticas.
   A partir das características dos primeiros atenienses, Platão exemplifica sua sociedade ideal. Pois é, os atrasados nativos, sem nenhum parentesco divino (ou alma extraterrena) se provaram mais valorosos. É impressionante como a história de Atlântida foi distorcida para servir a um livro que beira o de um newager. Ainda bem que Edgard Armond não é muito levado a sério por centros espíritas, digamos, mais ortodoxos. Mas sua voz se faz sentir nos afins da “Aliança Espírita Evangélica” fundada por ele. O problema maior, porém, é que Armond também teve por base testemunhos espirituais mais tradicionais.
   Em “Exilados…” se encontram alusões a Emmanuel. Ele, antes de Armond, fala em exilados da Capela e em Atlântida: 

ORIGEM DAS RAÇAS BRANCAS 

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Aquelas almas aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente, nas regiões mais importantes, onde se haviam localizado as tribos e famílias primitivas, descendentes dos “primatas”, a que nos referimos ainda há pouco.
   Com a sua reencarnação no mundo terreno, estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos seres. Um grande acontecimento se verificara no planeta. É que, com essas entidades, nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas. Em sua maioria, estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram o istmo de Suez para a África, na região do Egito, encaminhando-se igualmente para a longínqua Atlântida, de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios.
   Não obstante as lições recebidas da palavra sábia e mansa do Cristo, os homens brancos olvidaram os seus sagrados compromissos. Grande percentagem daqueles Espíritos rebeldes, com muitas exceções, só puderam voltar ao país da luz e da verdade depois de muitos séculos de sofrimentos expiatórios; outros, porém, infelizes e retrógrados, permanecem ainda na Terra, nos dias que correm, contrariando a regra geral, em virtude do seu elevado passivo de débitos clamorosos. 

QUATRO GRANDES POVOS   

As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências. As tradições do paraíso perdido passaram de gerações a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia. Aqueles seres decaídos e degradados, a maneira de suas vidas passadas no mundo distante da Capela, com o transcurso dos anos reuniram-se em quatro grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos, obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas que os associavam na constelação do Cocheiro.
   Unidos, novamente, na esteira do Tempo, formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia.
   Dos árias descende a maioria dos povos brancos da família indoeuropéia nessa descendência, porém, é necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além dos germanos e dos eslavos.
   As quatro grandes massas de degredados formaram os pródromos de toda a organização das civilizações futuras, introduzindo os mais largos benefícios no seio da raça amarela e da raça negra, que já existiam. É de grande interesse o estudo de sua movimentação no curso da História.
   Através dessa análise, é possível examinarem-se os defeitos e virtudes que trouxeram do seu paraíso longínquo, bem como os antagonismos e idiossincrasias peculiares a cada qual. (Xavier, Francisco Cândido; A Caminho da Luz, FEB, ditada por Emmanuel, cap. III)
   Um tanto comprometedor, pois a origem da raça branca tem sensível viés racista. Será que Emmanuel se esqueceu dos núbios que invadiram o Egito e promoveram uma dinastia de faraós negros?
   Com isso, não será tão fácil assim se livrar de Armond o chamando de dissidente: Emmanuel também aparenta ser um pseudo-sábio, a começar pela perfumaria do linguajar: “As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências.”
Talvez merecesse um lugar ao lado de Ramatis.
   Mas ainda vale comentar que por volta do lançamento do livro (1939) e até um pouco depois da descoberta da tectônica de placas ainda estava disseminada a hipótese da Atlântida no meio do oceano que lhe herdou o nome, como um resquício da obra de acadêmicos difusionistas (*) como Ignatius Donelly.
   Isto pode explicar porque tais abobrinhas não causaram espanto na época de publicação, mas hoje…
   Antes que alguém diga que Emmanuel só seguiu os conhecimentos se sua época, vale reparar que ele teve acesso a supostas informações privilegiadas (a imigração capelina), então porque não o estado do fundo do mar? Inventem outra!
(*)Escola que desacreditava a possibilidade de grandes avanços tecnológicos e culturais poderem se repetir em regiões distintas do globo.
   Poucos locais seriam núcleos de idéias originais e as repassariam às sua áreas de influência. Atlântida caiu como uma luva para eles na explicação de, por exemplos, existirem pirâmides tanto na Meso-América como no Egito. Só esqueceram ressaltar, como já foi dito, as inúmeras diferenças entre elas. 


Edson RochaJaneiro de 2011

Para saber mais:

– Blavatsky, H.P. The Secret Doctrine, 1888, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– Feder, Kenneth L., Frauds, Myths and Mysteries – Science and Pseudoscience in Archaeology, McGraw Hill, 4ª ed.
– Vidal-Naquet, Pierre. Atlântida – Pequena História de um Mito Platônico, tradução de Lygia Araújo Watanabe, Unesp, 2008
– Sclater, Philip L., Some Dificulties in Zoological Distribution, 1878, acessado em 01/10/2010. Traz uma referência a seu artigo original sobre Lemúria.
– Scott-Elliot, William; The Story of Atlantis, 1896, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– _______________; The Lost Lemuria, 1904, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– Uyeda, Seiya; La Nueva Concepcíón de la Tierra – Continentes y Océanos en Movimiento, Blume Ecología, Barcelona, 1980.

9 thoughts on “Atlântida e Lemúria Existiram?

  1. Comentário de Mário Piccinini em 6 janeiro 2011 às 14:00

    Parabéns pelo esplêndido trabalho de pesquisa, é imprescindível cotejar as informações, pois como bem disse Kardec, a fé deve estar firmemente apoiada na razão. Porém é importante frisar que no início do livro o Prof. Armond inseriu uma advertência já informando que a obra não se apoiava em documentos…, etc.
    O Prof. Armond dedicou sua vida ao espiritismo, seria de se estranhar que escrevesse uma obra destinada a mistificação ou coisa que o valha. Na minha humilde opinião fico com a possibilidade de que teve sim enorme dificuldade em relatar painéis de priscas eras a ele narrados, segundo ele por inspiração, ou talvez por “relatos mediúnicos”. De qualquer modo o debate é interessante. O médium Jan Val Ellam (www.orbum.org) diz em suas obras que Atlântida não era somente um local, e sim várias bases espalhadas pelo planeta. Espero que algum dia tenhamos acesso a essas verdades, quem sabe ainda no período de nossas vidas.

    1. Comentário de Edson Rocha em 6 janeiro 2011 às 22:08

      Irmão Mário Piccinini, veja bem, o Comandante Armond fez um bom trabalho para o Movimento Espírita, não há dúvidas quanto isso, porém, devemos cuidar para não aceitarmos tudo só por que é dele, temos que usar esta atitude com tudo e com todos. O irmão provavelmente não leu o livro “Alguns aspectos da vida em júpiter”, onde o Espírito disse que o planeta em que ele vivia tinha 12 luas e ele tinha a missão de ajudar os terráqueos em sua evolução… HOJE SE SABE QUE JÚPITER TÊM 63 LUAS!!!
      Com relação ao médium Jan Val Ellam, ele como outros que dá vazão a espíritos pseudo-sábios sem analisar o que Kardec disse e orientou de como proceder para não cair em engodos. Ele não tinha dados ouvidos ao Jesus que disse que viria em uma nave espacial em 18 de novembro de 2006, às 17:30. Não veio provavelmente o tempo não estava bom… Aí disse que era em 2007, novamente Jesus não veio… Que pena… E têm gente acreditando nele! O mesmo diz que foi o único escolhido em todo o planeta, para receber mensagens de nada mais, nada menos do que MOISES! É lamentável! Ele achava que era reencarnação de Kardec quanta pretensão!
      Pense nisso!

      Grato
      Edson Rocha

  2. Comentário de Edson Rocha em 6 janeiro 2011 às 21:15

    Aquilo que se fala sobre Atlântida nos meios Espíritas e Teosóficos é improvável, ou seja, não é ou foi possível provar. Dito isto, a Atlântida real é nada mais, nada menos, do que uma cidade formada numa ilha (na realidade uma boca de vulcão) com o nome Santorini na Grécia que em 1500 A.C. foi para os ares!
    Para conhecer esta história, procurem no YouTube o filme “O Êxodo Decifrado” legendado, ele pertence ao programa “The History Chanel”, este filme em dvd, está disponível em inglês, para compra. O filme é o resultado de investigação jornalística, com informações científicas atuais, que culminou com a comprovação da existência de Moisés, das dez pragas no Egito e a travessia do mar (que não era o vermelho). Outra dica é ler o livro de Richard Dawkin zoólogo e evolucionista “Deus Um delírio” onde traz informações científicas comprovadas da nossa evolução e com certeza, nada há sobre seres mais evoluídos do que nós! A natureza não dá saltos, ela segue um caminho crescente.

    Grato
    Edson Rocha

  3. Comentário de Claudio Tollin em 7 janeiro 2011 às 4:02

    Quando psicografou “A caminho da Luz”, de agosto a setembro de 1938, Francisco Cândido Xavier estava com 28 anos. Todas as informações contidas neste livro, considerando-se as limitadas condições de vida (sobrevivência) do médium atestam, a meu ver, o caráter de revelação do conteúdo da obra.
    Podemos pensar em limitações do médium ou mesmo na hipótese de ser Emmanuel um espírito pseudo-sábio, como sugere o Edson Rocha. No entanto o nível de conhecimento que Emmanuel demonstra em outras obras sugere que ele, certamente, não pertence ao referido grupo de espíritos. Tentar apequená-lo dando-se crédito a, por exemplo, Richard Dawkin “zoólogo e evolucionista “Deus Um delírio” onde traz informações científicas comprovadas da nossa evolução e com certeza, nada há sobre seres mais evoluídos do que nós! A natureza não dá saltos, ela segue um caminho crescente”. Nos forçaria também a rejeitar o que se lê em “A Gênese” cap. XI, item 38 que fala da Raça Adâmica formada por seres mais adiantada que imigraram para nosso planeta e impeliram ao progresso as outras que aqui existiam. Seriam eles menos inteligentes do que nós? Só porque não tinham disponível os elementos para produzirem a tecnologia atual, não significa que não eram mais evoluídos do que os que aqui estavam e provavelmente dos que ainda estão e que não são oriundos desta raça adâmica.
    Por outro lado, os conhecimentos que nos são trazidos pela ciência ou melhor, pelos cientistas, também devem passar pelo crivo da razão. Temos assistido ao nascer e morrer de hipóteses e até de teorias sendo que mesmo estas têm seus contestadores dentro da própria ciência. Vejamos, por exemplo, a genética. Desde a década de 50 acreditava-se que os seres vivos eram controlados pelos genes e isto vem sendo desmentido pelas descobertas da epigenética. A idade do nosso planeta bem como o tamanho da Via Láctea vem sendo corrigidas. As luas de Júpiter descobertas nas últimas décadas têm de 3km a 9km de diâmetro e, acredita-se, (ainda não comprovado) que tenham sido capturadas pela gravidade do planeta.
    Portanto, as críticas também devem ser criticadas. A verdade é uma só e, no momento, temos que compreender que o que temos é uma opinião ou crença do que seja a verdade. Somos, e seremos ainda por um longo tempo, limitados quanto à compreensão do que seja a verdade e o que sabemos hoje é pontual e está sujeito a ser revisto.

    Saudações fraternas a todos.
    Claudio

    P.S.: (para pensar sobre a temporalidade das nossas opiniões). Será que quando Kardec escreve na Revista Espírita sobre a perfectibilidade da raça negra, estava sendo racista ou estava influenciado pela visão europeia dos povos africanos? Não sabia ele que os espíritos encarnam nas diversas raças? Será que pensava que os melhores só encarnavam nos europeus?

    1. Comentário de Edson Rocha em 7 janeiro 2011 às 18:47

      Irmão Claudio, nem tudo que Emmanuel disse, pode ser aceito integralmente, embora haja evidências, que alguns elementos de suas mensagens poderiam ser manipulados pela editora, já que é sabido que todos os originais escritos por Chico Xavier eram repassados sem cópias. Hoje não existem cópias originais das psicografias de Chico. Isso foi intencional, pois, assim pode editar e manipular alguns pensamentos sem que se possa questionar.
      A questão da evolução, que é do Espírito, somente, não tira ao pensamento comum, que é; os Espíritos mais evoluídos dos planetas que estavam expurgando seus moradores problemas foram mandados compulsoriamente para o plante terra na missão de auxiliar na evolução, desta forma, foram reencarnando em corpos primitivos e provocando o aperfeiçoamento da raça humana de forma que houve um salto evolutivo, comprovado, em que de repente começo o homem primitivo fazer e criar coisas de forma rápida sem um histórico na arqueologia.
      Realmente tivemos Espíritos evoluídos no passado a milhares de anos, mas, não se pode acreditar que eles eram mais evoluídos do que os de hoje, isso não!
      Hoje existem, não somente datadores de carbono 14 (milhares de anos com precisão) há os relógios atômicos, em que uma rocha dá a sua idade e história de sua formação, dependendo do terreno em que está estudando. Isso não se pode ignorar, quando há indagações sobre especulações ou apenas teoria, devem se dar o trabalho de verificar com a ciência positivista, onde a comprovação é o testemunho do imbróglio que está especulação foi criada, por dificuldades de serem confirmadas.
      Quase tudo que a ciência tinha como hipóteses prováveis em quinze anos, foram reformuladas pelos novos equipamentos e estudos e esses estudos foram cruciais para desmoronar os misticismos, preconceitos e ideologias baratas em todas as camadas sociais, destas as religiosas.
      O livro Júpiter do Comandante Armoud foi escrito no começo de 1974 e nesta época qualquer estudante secundário sabia que havia apenas 12 luas, porém, em outubro do mesmo ano, os ignorantes cientistas terráqueos descobriram o 13º e em 1979 mais três, ou seja, este espírito que se dizia auxiliar da humanidade e que vivia em júpiter era na verdade um espirito que nunca saiu do planeta terra e tinha poucos conhecimentos astronômicos. Isto é fato! Bem têm pessoas que consegue criar explicações capengas, ao ponto que Deus deve ter criado as outras luas ou elas foram capturadas pela gravidade neste breve espaço de tempo. Fantástico!
      A questão da verdade absoluta ela existe sim e em nossa volta podemos perceber, graças às ciências que com suas observações e testes comprovatórios levam a alguns axiomas que podem ser testados indefinidamente e dão os mesmos resultados, podemos falar das leis da física, onde há leis que nós sabemos que são eternas e por isso leis de DEUS e não haverá mudanças ao infinito pelo mesmo fato de ser uma lei inviolável criada por Deus e perfeita em si mesma, isso é só para mostrar que temos sim verdades absolutas, basta olhar em volta com competência.
      Quanto ao pensamento da raça negra, ainda assim devemos nos portar à época, onde, esses pensamentos errados eram ensinados nas escolas, sabemos que um espírito reencarna em qualquer corpo em qualquer grupo humano no planeta, mas, fica evidente que os mais evoluídos modificam, através de seu períspirito esse mesmo corpo e dá a graça e equilíbrio nas expressões nos casos em que não há provas físicas. Uma coisa é certa meu Irmão Claudio Tollin, o cientista Albert Einstein nunca irá reencarnar nas tribos ianomâmis! Entendeu!

      Grato
      Edson Rocha

      1. Comentário de Claudio Tollin em 7 janeiro 2011 às 23:19

        Obrigado irmão Edson pelos seus comentários.
        É sabido que não podemos acreditar em tudo o que nos dizem no atual estágio evolutivo em que nos encontramos e isto é válido para encarnados e desencarnados. Sabemos todos das limitações e dificuldades que as comunicações apresentam entre encarnados, entre desencarnados e finalmente entre encarnados e desencarnados. (Aqui englobo todas as informações, TODAS, mesmo aquelas que o irmão afirma serem verdade absoluta). Somos observadores e o resultado de nossas observações é e sempre será condicionado à capacidade perceptiva do observador. (Vide Kardec avaliando a raça negra como inferior)
        Por falar nisto, quando a raça adâmica para aqui veio, os Einstein de outras paragens do universo encarnaram entre os selvagens daqui. A evolução parece ser medida também pela moral e não apenas pelo intelecto, não acha?
        Como espíritas, deveríamos estar cientes de que o que conhecemos pelos nossos sentidos físicos não expressa a totalidade da criação. As infinitas combinações do fluido cósmico universal produzem não apenas o que é captado pelos nossos sentidos físicos. Vivemos apenas em uma pequena porção da escala vibracional em que este fluido cósmico se manifesta. Falar de leis universais, portanto, deve ser com a consciência de que estamos falando de um pequeníssimo espectro das possibilidades de combinações que o FCU nos apresenta.
        Querer usar as leis que conhecemos para explicar, por exemplo, a vida no mundo espiritual, é ser simplista por demasiado.
        Não se sabe ainda como se dá, por exemplo, a interação espírito/matéria. Como o corpo espiritual interage com a matéria do nosso corpo? Como a mente interage com o corpo espiritual? Como os espíritos se deslocam no espaço? (Os períspiritos são formados com a matéria do meio em que se manifestam e, portanto, numa viagem interplanetária ou até numa interdimensional, trocariam seus corpos espirituais a cada milímetro, cm, m, km em que se deslocam?) Como conseguem vencer a gravidade? O tempo e o espaço que conhecemos são iguais para eles? Suas formas são sempre humanoides? Que dizer então de faculdades como a psicométrica, podemos explicá-la com nossas leis conhecidas? etc. etc. etc.
        Falar em VERDADE ABSOLUTA! Balela, isto sim.
        Quanto à informação de que as psicografias de Chico Xavier foram manipuladas pela FEB e, portanto, são fraudulentas, criminosas, coloca em risco toda uma série de informações que esta instituição passou à sociedade. Seria melhor que fossem identificadas estas fraudes. Em que parte foram fraudadas?
        Compará-las com a Codificação ajudaria bastante, mas mesmo assim teríamos que decidir se com a primeira ou segunda edição do Livro dos Espíritos já que entre elas existem diferenças. Mas mesmo assim teríamos que nos perguntar se seria ético por parte da FEB publicar obras que não estejam de acordo com a Codificação. (Estou apenas divagando pois, na verdade, considero de grande relevância as obras psicografadas por Chico Xavier pois me abriram a compreensão e me servem como uma complementação indispensável à Codificação. Sou um apreciador dos ensinos de Emmanuel e André Luiz. As análises de Emmanuel me ajudam a entender algumas afirmações dos evangelhos bíblicos).

        Abraço fraterno,
        Claudio

        1. Comentário de Edson Rocha em 8 janeiro 2011 às 21:19

          Irmão Claudio Tollin, interessantes suas indagações, tomo a liberdade, dentro dos meus conhecimentos em pesquisas científicas, no aspecto aplicado, responder as várias indagações que o Irmão faz, em sua última mensagem e assim, poder pôr neste fórum, minha visão de alguns paralelos da nossa Doutrina com os conhecimentos de hoje, pode ser que alguns pensamentos, com o tempo, serão provados inconsistentes, porém, hoje eles são os melhores que temos. Não vou apresentar biografias por dois motivos; o primeiro é que tenho que procurá-los o que levaria tempo o segundo é a enormidade que teria este texto e não comporta num fórum, mas, no santo Google há vários sites que tocam nos assuntos aqui apresentados. (Alguns não!)
          Com relação à verdade absoluta, há várias! Poderíamos afirmar que a Lei de Adoração – Mostra o sentimento inato que todos os viventes possuem da divindade. Lei do Trabalho – É uma necessidade. A necessidade é a consciência de que os falta algo. Não se deve confundir trabalho com emprego. Alguns trabalham e não têm emprego; outros têm emprego e não trabalham. Lei de Reprodução – Relativo à reencarnação. Mostra a necessidade de purificação do Espírito. Lei de Conservação – Depois da vida, todos sentem intuitivamente a necessidade de progredir e aperfeiçoar. Lei de Destruição – A destruição é necessária para que novos corpos apareçam mais inteligentes e mais argutos. É a renovação e melhoria dos seres vivos. Lei de Sociedade – Todos os indivíduos têm responsabilidade para com os outros seres humanos. Os mais fortes devem ajudar os mais fracos; os mais inteligentes, os menos. Lei de Progresso – Há uma inexorabilidade. Quer estejamos encarnados ou desencarnados, todos estaremos sujeitos à lei do progresso. Lei de Igualdade – Embora todos os Espíritos tenham partido de um mesmo ponto, uns progrediram mais do que os outros. A desigualdade refere-se apenas ao mérito. Lei de Liberdade – Quanto maior for a obediência à lei de Deus, maior a liberdade dos seres humanos. Lei de Justiça, Amor e Caridade – É a mais importante, porque resume as leis anteriores. Não há por que achar que estas leis não são utilizadas em todo o universo material e Espiritual, em todas as camadas evolutivas, portanto eterna! PORTANTO SÃO VERDADES ABSOLUTAS!
          A evolução Espiritual no planeta Terra está abaixo da evolução material e isso é dinâmico e poderá mudar não tão breve…
          Na Doutrina Espírita fica claro que o Fluído Cósmico Universal está contido em todo o universo e que tudo nasce de forma primária e vai se complexando. O princípio material é subproduto dele. No meu entender, juntamente com o princípio espiritual e este manipulado pelas inteligências Espirituais, formam as partículas e destas o hidrogênio simples (um elétron e um próton) esse elemento simples ou com o nêutron em seu núcleo, está em 93% de toda matéria visível do universo, 7% de hélio e 1% todos os outros elementos químicos, pelos cálculos até hoje medido. Toda a matéria que conhecemos no universo é de apenas 4% do universo, 23% é de matéria escura e 73% de energia escura.
          Podemos sim, invertendo sua colocação, ” Querer usar as leis que conhecemos para explicar, por exemplo, a vida no mundo espiritual, é ser simplista por demasiado” se partimos em primeiro plano do que conhecemos do Espiritismo e juntamente com as informações científicas, hoje disponíveis, fazermos alguma projeção do mundo Espiritual. Não é difícil!
          Com relação à interação do espírito com a matéria, devo dizer que há necessidade de definir algumas proposições, creio que se devem evitar algumas afirmativas no meio Espírita em decorrência do ouvi falar! E não confundir princípio espiritual com Espírito e princípio material com matéria. Princípio material e espiritual é o início simples criado por DEUS, no princípio do tempo ou como queira o primeiro universo, já que, não sabemos se este universo é o primeiro ou o milionésimo… Ou seja, principio espiritual não é Espírito!
          Outro erro comum é admitir que o princípio inteligente e Espírito sejam sinônimos, no Livro dos Espíritos, na pergunta 23. Que é o Espírito? Resposta; “O princípio inteligente do Universo. ” Isso não quer dizer que o princípio inteligente é Espirito, ou seja, o princípio inteligente está contido no Espírito. Allan Kardec entendeu e deixou claro isso; no Livro dos Espíritos, na pergunta 613 no título “Dos Três Reinos” “Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haurem na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou. Aqui fica claro que todos os corpos utilizam uma quantidade de princípio inteligente e não um só! Ou seja, não é uma individualidade!
          Na pergunta 607 (a) “Já não dissemos que todo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade está longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito.
          Meu Irmão Claudio, dada estas explicações, poderíamos pensar de forma mais livre, creio, até haver uma hipótese melhor; que existem apenas dois universos, um Espiritual e outro Material (que não precisaria existir), o universo material é manipulado pelos Espíritos através de seus pensamentos que têm força de moldagem no princípio espiritual que é as antipartículas (supercordas?) E desta forma o hidrogênio é formado. Ele não cria o princípio espiritual e nem material por ter sido criado por DEUS, ele só manipula estes elementos com o pensamento. Daí é fácil perceber que dependendo da superioridade dos co-criadores, auxiliares de DEUS, o universo material é formado. No mundo material a vibração é horizontal e no plano Espiritual é vertical (graus diferentes de vibrações no mesmo espaço) e assim podemos dizer que não existem vários universos sobrepostos ou outra teoria que os cientistas querem explicar, principalmente as 11 dimensões que comportam a explicação da teoria das cordas. Obs.: a Doutrina Espírita fala apenas um universo! Com dois mundos o Espiritual e o material!
          A questão da psicometria poderia ser uma capacidade do Espírito de ver através das ondas emanadas dos objetos o que ocorreu em seu redor, não se esqueça, a matéria nada mais é do que energias condensadas, desta forma podem ser lidas através do princípio espiritual que está contido na matéria.
          Acredito que os corpos nos vários planetas poderiam ser parecidos com os nossos, com mãos para pegar e manipular materiais e pernas para se locomover, porém, em locais onde se tenha mais propriedades para serem usadas, poderá haver mudanças no corpo para atender as necessidades. Vai depender do tipo de matéria que for feito o planeta e suas características Físicas. (Em um planeta totalmente coberto de água um golfinho seria o ser mais inteligente!)
          Em relação aos livros manipulados pela FEB. Foram apenas os que deram guarida ao Roustainguismo e ao anjo Ismael como tutor da Brasil, sem esquecer-se da mensagem de Allan Kardec como espírito, que disse que se enganou e se arrepende de ter cometido erros doutrinários e que a revelação da revelação está correta, eu acho que isso é extremamente grave! E para ser respeitada, manipula mensagens flagrantemente favorável aos seus congressos ao ponto de no último, a médium dizer que o congresso foi visitado pelo nosso Jesus! E para dar credibilidade colocaram o nome de uma excelente e respeitada médium Yvone Pereira! Um absurdo! Quanto ao resto a FEB. Faz um bom trabalho, desde que ninguém a atrapalhe… Para conhecer um pouco das coisas que não acontecia no passado para evolução do Espiritismo no Brasil, basta ler o imperdível livro de Jorge Rizzini, “ José Herculano Pires, O Apóstolo de Kardec” lá o Irmão irá conhecer o trabalho hercúleo para defender a nossa Doutrina dos abusos e desrespeito com o Codificador.
          Não há dúvidas que os livros de Emmanuel são ferramentas indispensáveis para os estudos da Doutrina, porém, APENAS COMO OBRAS AUXILIARES e não básicas, há muito de igreja lá! Os de André Luiz são recheados de teosofia e também devem ser lidos com conhecimentos básicos antes!

          Grato
          Edson Rocha

          1. Comentário de Claudio Tollin em 9 janeiro 2011 às 2:25

            Meu caro irmão Edson, em toda construção, o alicerce deve ser adequado ao edifício que irá sustentar.
            Foi o que o sábio Codificador procurou fazer, assistido pelos espíritos da equipe que se encarregou de trazer a 3ª revelação. E eles deixaram claro que ali não estavam contidas todas as informações, mas apenas as que julgaram necessárias para o momento evolutivo dos espíritos deste planeta. Com isto nos deixaram a liberdade para a análise e interpretação destas informações.
            Para que as façamos sempre haverá que se considerar que, como disse anteriormente, percebamos que estamos na posição de observadores e as conclusões estarão subordinadas à qualidade da observação e do observador.
            Isto tem que ser bem compreendido, daí eu insistir novamente neste ponto que abordei no meu último comentário. Tentarei clarear este ponto novamente, pois o considero de vital importância para o entendimento do que irei expor.
            “Não existem duas observações iguais”. Quando nos comunicamos, por exemplo, usamos ‘símbolos’ que, acreditamos, expressam nossas ideias e sentimentos e esperamos que o outro tenha uma percepção daquilo que estamos pensando ou sentindo no momento da comunicação. Mas NÃO há como termos a certeza de que o outro captou exatamente aquilo que intencionamos expressar. (O mapa não é o território).
            A percepção de cada um está condicionada ao ‘seu conteúdo’, ao seu ‘histórico de vida’, à sua memória evolutiva. Portanto isto é uma aquisição de cada indivíduo e não há dois indivíduos cujo conteúdo seja o mesmo.
            Feita esta observação podemos falar da chamada VERDADE ABSOLUTA.
            O irmão a exemplifica usando as Leis Universais. Há que se compreender que cada uma é expressa como um símbolo, uma palavra, (ADORAÇÃO, TRABALHO, REPRODUÇÃO, etc.) e assim foi necessário pois nossa comunicação ainda tem que fazer uso de símbolos como já explicado. Daí achar que compreendemos o que seja adoração, liberdade, amor, trabalho, reprodução, etc. no mais amplo conceito dentro da evolução infinita é querer limitar o Criador destas leis ao tamanho de nossa compreensão.
            Por exemplo, quando se fala dos atributos da divindade, usamos expressões tais como: eterno, infinito, imaterial, único, onipotente, etc. Não podemos achar que com estas expressões estamos compreendendo o Criador de forma ABSOLUTA. Por isto os espíritos disseram que as podemos usar do nosso ponto de vista, pois acreditamos abranger tudo. (LE Q nº 13). (Veja-se também a grande dificuldade que existe em nos entendermos sobre a divindade de forma que há um Deus Cristão, outro Hindu, outro Muçulmano, outro Judeu, etc. pois acabamos criando o Criador).
            Espero ter ficado mais claro o porquê não acredito em que no atual estágio evolutivo, possamos falar de VERDADE ABSOLUTA. (A evolução se dá por sublimação e não por supressão. T. Chardin)
            Não tenho certeza de ter compreendido bem sua expressão: “A evolução Espiritual no planeta Terra está abaixo da evolução material e isso é dinâmico e poderá mudas não tão breve…”, bem como suas ideias a respeito de como os agentes atuam para formar a matéria
            No meu entender o princípio inteligente (espírito não individualizado) é que se une ao FCU para atuar sobre a matéria. Entendo que é o espírito que evolui e com sua evolução faz também evoluir a matéria.
            Me refiro ao princípio inteligente no sentido da Q.23 do LE que diz que o espírito é o princípio inteligente do Universo. Mais tarde este princípio inteligente se individualizará tornando-se Espírito. (Q. 76 do LE).
            Creio que esta evolução, pelo menos no princípio, se dá no próprio espírito sob o comando do Criador e não sob a atuação das inteligências Espirituais (de onde teriam surgido estas inteligências Espirituais?). Este mesmo espírito ao evoluir faz evoluir a matéria. Mais tarde, individualizado irá também atuar como agentes do Criador (co-criadores). Vide as respostas às Questões. 539 e 540 do LE. (Fica aqui registrada minha limitação pois falando em um início uso de um pensamento de que deve ter havido um. Não há como saber como e quando tudo começou ou mesmo se houve um início. (Q. 17 do LE).
            A grande questão que se apresenta, quando falamos no uso das leis conhecidas para uma abordagem ao espírito e, consequentemente, à Deus, é de que não se conhece ou concebe na ciência uma causa espiritual atuando na material. Em outras palavras: como um ser não-material provoca uma ação no mundo material (interação). Como espíritas temos a explicação do FCU intermediando esta relação mas para a ciência atual esta interação exige troca de energia. Como a energia no mundo material se conserva sempre (princípio da conservação da energia) não há como justificar que esta interação exista, ou seja, não há evidências desta troca de energia.
            Obs.: Talvez a física quântica possa nos ajudar a responder esta questão. (é o que vem defendendo o físico Amit Goswami).
            Quanto ao trabalho da FEB concordo com o irmão de que é de relevância. Quanto às manipulações das informações “espirituais” também acho que devemos ser sempre cuidadosos com aquilo que nos é passado, (todo este nosso bate papo nasceu de sua análise de uma delas). Acho construtiva a troca de opiniões dentro de um espírito de fraternidade e de busca de maior compreensão.
            Agradeço-lhe a indicação do livro do Rizzini.

            Abraço fraterno
            Claudio

  4. Comentário de Edson Rocha em 9 janeiro 2011 às 14:04

    Irmão Claudio o símbolo tem como interpretação a subjetividade, como bem colocaste, porém, digo que a adoração poderia ser o emblema de uma verdade absoluta, já, que, todos nós fomos criados com esta percepção que é uma lei, se não compreendemos ou damos valor para este símbolo, ele não deixa de ter seu absolutismo, como uma verdade universal, mesmo que não acreditemos, ele não deixará de existir. Só isso.
    Na frase; “A evolução Espiritual no planeta Terra está abaixo da evolução material e isso é dinâmico e poderá mudar não tão breve…”, eu quis dizer que no planeta terra o desenvolvimento material ou intelectual é mais rápido e está à frente do desenvolvimento espiritual, este fica para depois, quando o ser está com problemas vários, pois, enquanto está bem materialmente não pensa em desenvolver ou conhecer a espiritualidade…
    Eu fico com o pé atrás quanto à evolução da matéria! Acredito que a matéria só pode ser modificada e não há evolucionismo nela, o eu molda é o Espírito para utilizá-la em seu proveito e quando não houver necessidade, deixa-a em qualquer lugar para reaproveitamento, assim como nosso corpo físico.
    O Irmão tocou num assunto que extremamente importante a Física Quântica, essa a meu ver será o caminho da ciência clássica para responder, principalmente, o que acontece no microcosmo e como o macrocosmo é formado pelo micro é aí que virá as respostas que tanto estamos falando de forma aleatória e especulativa.
    Para ser pensado: o ciclo do bambu é um tremendo mistério para os botânicos, esses ciclos podem acontecer de 10,15, 50 ou até 100 anos. O fato intrigante é espantoso é que a floração acontece de forma simultânea em todo o planeta, aí fica a pergunta; como o bambu germinado em épocas diferente, em décadas diferentes florescem exatamente no mesmo período, seja na Ásia ou na América do Sul?
    Como disse Niels Bohr “Qualquer um que não se choque com a Física Quântica é porque não a entendeu! ”
    Apesar de o físico Amit Goswami estar tentando fazer o melhor ele é apenas um físico oportunista, querendo juntar o pensamento Hindu à física quântica, passando pela física clássica, li vários livros dele e sinceramente trocaria os livros pela Codificação que é de longe mais lógica!
    Meu Irmão Claudio, se alguém acompanhar nossos diálogos neste fórum, com certeza vão perguntar o que tem a ver Atlântida com esses papos! Acabamos fugindo do tópico, porém, é interessante.
    Até mais.

    Grato
    Edson Rocha

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