As Origens da Questão Roustaing

As Origens da Questão Roustaing
Escreve: Chrysanto de Brito (In Memorian)

      O trabalho que se vai ler foi-me enviado em 1981, quando eu estava concluindo a preparação do livro “O Corpo Fluídico”. Foi do saudoso amigo Francisco Klörs Werneck a gentileza da remessa. Mas o meu livro estava já no prelo, de modo que não pude aproveitá-lo, como de resto, a muitas outras colaborações que recebi na época. Dou-o ao seu conhecimento, agora, leitor, no momento em que a segunda edição do “Corpo Fluídico” está sendo lançada. Não sendo inédito, este trabalho é, no entanto, totalmente desconhecido, pois veio a público através da extinta “Revista Espírita do Brasil”, em 1936. Revista e autor eram do Rio de Janeiro. Após sua leitura, compreenderá você a razão que me faz apresentá-lo aqui. (Wilson Garcia).

  Allan Kardec, escrevendo em 1866 na “Revue Spirite”, que dirigia, meramente urna noticia bibliográfica sobre a obra mediúnica de J.B. Roustaing, intitulada “Os Quatro Evangelhos” (Les Quatre Evangéles, Paris, 1866), não poderia imaginar o alvoroço que suas observações iriam provocar entre os espiritas, ao ponto de criarem para o Espiritismo uma grave questão, que ainda perdura e que trouxe incontestavelmente uma cisão entre eles.
  As discussões sobre ela foram em França e são aqui sempre tão acerbas, que já fizeram dela um foco de malquerenças. Era uma situação que convinha acabar definitivamente. Os espíritas deviam procurar manter-se sempre em condições tais que não se afastassem dos preceitos da moral que rege o próprio Espiritismo.
  Sabe-se que a questão Roustaing gira em tomo de uma opinião de Allan Kardec sobre afirmativas de Roustaing a respeito da natureza do corpo de Jesus. É preciso dizer que Allan Kardec não condenou totalmente a obra de Roustaing. Ele achava que ao lado das coisas duvidosas que continha, existia nela coisas boas e verdadeiras; que era um trabalho que tinha o mérito de não estar em contradição com os princípios de “O Livro dos Espíritos” e de “O Livro dos Médiuns”. O que não estava de acordo era a aplicação que Roustaing fazia desses princípios à interpretação de certos fatos. Assim, por exemplo, ele dava ao Cristo em vez dum corpo carnal um corpo fluídico concretizado com todas as aparências da materialização. Jesus não seria, durante toda a vida, senão uma aparição tangível, um agênere. Seu nascimento, sua morte e todos os atos materiais de sua vida teriam sido apenas aparências.
  Ainda que Allan Kardec não visse nisso um fato impossível, para quem conhecesse as propriedades do fluido perispiritual, ele não pronunciava sobre ele nem pró nem contra. Ele alegava que era, pelo menos, um fato hipotético, que tinha sido mesmo inoportuno aventá-lo, que a aceitá-lo ele só poderia valer por uma opinião individual, sem fazer parte integrante da doutrina espírita, desde que não tivesse a sanção do controle universal dos Espíritos. Eis principalmente o que encerrava a nota bibliográfica de Allan Kardec. Ele não censurou, não injuriou. Expediu a sua opinião fraternalmente.
  Roustaing era natural procurasse responder a Allan Kardec. Não se sabe, porém, ao certo, se a resposta foi publicada. Seus discípulos muito tempo depois afirmaram que ele não conseguiu publicá-la. Allan Kardec não consta tivesse voltado à questão senão em 1868, quando deu à estampa “A Gênese” segundo o Espiritismo, discutindo-o objetivamente.
  A questão Roustaing está hoje liquidada em França. Tendo sido criada e debatida pelos discípulos franceses de Roustaing, dela ficaram vestígios um pouco desonrosos para o Espiritismo. De fato, eles vêm mostrar os inconvenientes e os excessos a que chegaram os promotores da questão. É desses vestígios que pretendo falar aqui. O que quero fazer é antes expor os meios empregados pelos discípulos de Roustaing para apresentarem suas ideias, que propriamente discutir a questão em si. São principalmente suas origens que procuro mostrar aqui. É necessário asseverar que não tenho em mira, fazer reviver essa questão ainda tão irritante, procurando provocar discussões, nem mesmo julgo seja sua resolução indispensável ao nosso progresso espiritual. Penso com Allan Kardec que essa questão surgiu inoportunamente. Mas, já que isso se deu, pode-se continuar a falar sobre ela, sem que se possa dizer que isso importa em provocação. No interesse da verdade tudo se pode alegar, contanto que tudo se alegue serenamente e com probidade.

QUESTÃO DE HONRA

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  Foi principalmente depois da morte de Roustaing, estando, portanto, já Allan Kardec desencarnado, que a questão tomou vulto. Seus discípulos não puderam suportar que Allan Kardec não tivesse a mesma opinião que seu mestre. Viram nas suas observações propósitos que não estavam na sua intenção. A questão da natureza do corpo de Jesus apareceu então como uma questão de honra.
  Foi dado a lume em 1882 uma brochura contendo uma memória intitulada “Os Quatro Evangelhos de J.B. Roustaing. Resposta a Seus Críticos e a Seus Adversários”. (Les Quatre Evangiles de J.B. Roustaing. Réponse à Ses Critiques el à Ses Adversaires. Bordéus, 1882), onde se procurava defender Roustaing de pretendidas injustiças de Allan Kardec e onde se dizia, ao mesmo tempo, que a memória, tal qual era publicada, tinha sido escrita em 1866 e legada em manuscrito pelo próprio Roustaing, a fim de ser publicada após sua morte, memória essa, entretanto, que não passa de um arranjo de seus discípulos, que não é integralmente da autoria de Roustaing.
  Não é que nessa memória não se veja certa resposta dada pelo autor d’Os Quatro Evangelhos a Allan Kardec, mas não se deixa de ver também, com um exame deti-do, que ela está enxertada e tem apêndices. Segundo me informaram mediunicamente a resposta de Roustaing foi clara; não tinha as acomodações que foram feitas pelos seus discípulos. Assim, pretendendo prejudicar a honorabilidade de Allan Kardec, os discípulos de Roustaing atribuíram também a este sentimentos que não abrigou. Não havia em Allan Kardec nenhuma má vontade com Roustaing, assim Roustaing não lhe votava encarniçada inimizade. A brochura de 1882 teve o grande prejuízo de excitar extremamente os ânimos dos espíritas em França, dando lugar a uma forte e dura polêmica entre eles.
  Vai-se ver agora, embora ligeiramente, em que consistiu a defesa de Roustaing nessa brochura. Há, sobretudo, quatro temas em que ela se apoia. São a negativa da concordância universal como método de controle do Espiritismo, admitido por Allan Kardec, a apresentação de Roustaing como missionário de uma “fase teológica” no Espiritismo, a fenomenologia espírita, principalmente as materializações, como meio de prova na questão da natureza do corpo de Jesus e a acusação contra a aplicação da tese do Docetismo à mesma questão. Há outros pontos secundários que foram tratados pelos discípulos de Roustaing, que nada têm com a questão, mas que foram analisados por eles para terem, parece, a oportunidade de censurar Allan Kardec.
  “Para falarmos afirmativamente nas questões, disse Allan Kardec na nota bibliográfica de 1866, e estarmos de acordo com a maioria, recolhemos documentos bastante numerosos nos ensinos dados de todos os lados pelos Espíritos. Assim temos procedido todas as vezes que se trata de formular um princípio capital. Nosso critério, para as coisas que não podemos controlar pelos nossos próprios olhos, está na concordância universal corroborada por uma rigorosa lógica”. Já anteriormente, em 1864, na introdução da “Imitação do Evangelho segundo Espiritismo”, ele tinha definido esse critério e ainda mais nas edições posteriores da mesma obra, que se sucederam com o título apenas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
  “A garantia séria do ensino dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente por intermédio de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões”.
  Era esse justamente o critério que Allan Kardec tinha adotado, como se sabe, para formar os princípios do Espiritismo, para preparar “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”. Eis porque julgava que no caso de ser admitida a tese da natureza do corpo de Jesus, como o queria Roustaing, a ela devia ser aplicada a sanção da concordância universal dos Espíritos. Agora, onde está a prepotência, o monopólio da verdade, a pretensão a infalibilidade, o sectarismo de Allan Kardec nessa afirmativa, como insinuaram os discípulos de Roustaing?
  O consensus omnium, isto é, o acordo de todos os homens sobre certas proposições não é, em lógica, um critério considerado como prova da verdade? Por que não aplicá-lo também ao Espiritismo, como fez Allan Kardec? Se não se pode dizer que seja um critério infalível, pelo menos é lógico e que Allan Kardec tinha demais a experiência.

CRITÉRIO DE AUTORIDADE

  Roustaing e seus discípulos insurgindo-se contra ele mostraram que se baseavam em Espiritismo, exclusivamente, no critério de autoridade. Mas não é também crité-rio falível, mais falível ainda que o da concordância ou consentimento universal? Não é preciso discuti-lo aqui. Roustaing firmou-se demasiadamente na autoridade dos nomes que apareceram nas mensagens desde o começo da obra, que podiam não ser dos próprios evangelistas, pelo menos os nomes que revelaram a parte referente à natureza do corpo de Jesus. Devia ter havido um controle particular, devendo a identificação ser feita com interesse e cuidado, assim como o exame das condições práticas determinadas.
  Não seria melhor que tivesse havido também o controle universal, de que falava Kardec, como outros elementos de prova? A esse controle se opunha talvez em sua excessiva boa fé, sua grande credulidade e ainda mais suas ideias preconcebidas sobre a necessidade de ser aclarada a questão do corpo de Jesus, quando a verdade é que não tinha chegado ainda o momento para isso, conforme dizem certos Espíritos.
  Outro erro dos discípulos de Roustaing foi quererem fazer dele, por influência de Pezzani, sem que este tenha talvez concorrido, de uma “fase teológica” que sua obra viria a abrir. A. Pezzani, publicando em 1865, conforme se vê da própria brochura em 1882, um ano antes de ser dada à luz a obra de Roustaing, um livro intitulado “Les Bardes Druidiques, Synthèsé Philosophique du Dixneuvième Siécle” e referindo-se ao Espiritismo, emitiu opinião de que ele tem três fases distintas: a fase material, a fase espiritual e a fase teológica. Dizendo ainda que a fase material terminava com a moral, a espiritual com a síntese filosófica, ele afirmava que a fase teológica terminaria com a fusão de todos os cultos e com a “constituição do universalismo em religião”, o que é admissível por evolução e não repentinamente por intermédio de uma obra e muito menos de uma obra de comentários. Entretanto, Roustaing entendia, com seus discípulos, que “Os Quatro Evangelhos” começavam essa fase, porque a fase espiritual tinha sido terminada pelo próprio Pezzani e a fase material já tinha sido também fechada por Allan Kardec com “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, o que quer dizer que Allan Kardec fora o missionário apenas para esses dois livros. Não é preciso mostrar aqui o erro da concepção de Pezzani, nem a inanidade de Roustaing.
  Tratando da fenomenologia espiritual a propósito da natureza do corpo espiritual de Jesus, os discípulos de Roustaing disseram que Allan Kardec não gostava das manifestações físicas, e que “seus adeptos aprenderam com ela a lhes ter um santo horror”. É uma imputação inteiramente aérea. Não se encontra na sua obra nada que prove isso. Ao contrário, ele falou delas largamente n’O Livro dos Médiuns e na Gênese segundo o Espiritismo.
  Fazendo, por exemplo, o estudo das aparições tangíveis ou materializações, ele traçou uma teoria que ainda está de acordo com os fatos, falando também daqueles que se davam por intermédio de médiuns poderosos como Home, que depois foi estudado por Crookes. Seu fim não foi alongar-se no estudo dos fenômenos físicos nem dos fenômenos intelectuais, mas estabelecer os fundamentos de uma doutrina que ficasse experimentalmente baseada sobre eles.
  Já se vê que ele estudou desses fenômenos o que era suficiente para chegar aos seus fins, ficando, destarte, conhecendo e aceitando todos eles. Por aceitar mesmo os fenômenos físicos e conhecê-los, foi que Allan Kardec pôde dizer que admitindo-se Jesus com um corpo nas condições em que o queria Roustaing, era dar lugar a compará-lo com uma aparição tangível, um agênere, como chamava. Não fez o que fizeram os discípulos de Roustaing sofisticamente, isto é, tomaram essas próprias aparições tangíveis ou materializadas, principalmente as de Crookes, como prova de que Jesus podia manter-se com um corpo nas condições que alegavam.
  Era certamente desconhecer-se o caráter dessas materializações, o meio em que se formam, as condições especiais de investigações em que se dão. Daí é absurdo dizerem os discípulos de Roustaing que as revelações sobre a natureza do corpo de Jesus estão de acordo com a ciência moderna.

ALTERAÇÃO FRAUDULENTA

  Allan Kardec, adotando a mesma opinião que teve Pezzani, julgou que a concepção do Docetismo podia ser comparada com a que teve Roustaing sobre o corpo de Jesus. O Docetismo foi uma heresia dos primeiros séculos da igreja, que ensinou justamente o que prega Roustaing, isto é, que toda a vida material de Jesus, seu nascimento e sua morte não foram senão aparentes. Não era dizendo que o Docetismo é um erro, que Roustaing o conhecia ou que Allan Kardec o desconhecia, que os discípulos de Roustaing podiam negar a veracidade da comparação.
  Mas não foi somente a publicação da brochura em 1882 que veio agravar a questão Roustaing, foi a alteração fraudulenta que fizeram os discípulos de Roustaing da edição d’Os Quatro Evangelhos. O prefácio e a introdução, contendo ao todo 108 páginas foram extraídos do primeiro volume da obra, para serem substituídos em muitos exemplares da mesma obra por outro prefácio e mais quatro partes da brochura, no total de 88 páginas. Este prefácio não é inteiramente novo, é o prefácio do volume que se pode chamar de autêntico, reproduzido com omissões e emendas contendo, além disso, pequenas interpolações. Assim, sem que tenha havido uma nova edição, existem da mesma obra exemplares com prefácios diferentes.
  Para provar a fraude não é preciso mais que examinar o frontispício do primeiro volume, vendo-se a data de sua publicação, 1866, e depois vendo-se no fim das transcrições das partes tiradas da brochura, uma página antes de começar os comentários evangélicos, uma nota dizendo abertamente que elas tinham sido extraídas da brochura publicada em 1882, Como pode um livro publicado em 1866 conter fatos que se passaram em 1882? Além do papel e dos tipos de letras diferentes há ainda a errata que ficou no livro alterado e que não combina absolutamente com as páginas substituídas. Eis até onde chegaram as origens da questão Roustaing.
  No Brasil, essa obra, assim alterada, passou como uma segunda edição e foi traduzida, quando se sabe que dela nunca foi tirada nova edição. Teria sido melhor fosse conservada a edição brasileira que fora feita, há alguns anos, da obra autêntica de Roustaing, tradução embora feita com menos elegância que a outra mais recente. Pelo menos ela não contém os males da obra adulterada.


Fonte: Mensário espírita “Opinião E.”, abril de 1995, ano I, nº 6 – Capivari-SP; editor e jornalista responsável: Wilson Garcia. Os intertítulos foram acrescentados para facilitar a leitura. A “Revista Espírita do Brasil”, que publicou inicialmente este artigo em 1936, era o órgão de divulgação da Liga Espírita do Brasil. (Nota do PENSE).
Chrysanto de Brito foi um antigo militante espírita, funcionário do Governo. De origem cearense, radicado no Rio de Janeiro, desencarnou sem deixar filhos. Era recluso, avesso aos auditórios espíritas e pouco participou do movimento espírita do início do século 20. Profundo conhecedor do Espiritismo, escreveu o livro “Allan Kardec e o Espiritismo”, lançado em 1935, reeditado em 1983, com edição digital pelo PENSE em abril de 2010.

http://viasantos.com/pense/arquivo/1366.html

20 thoughts on “As Origens da Questão Roustaing

  1. Comentário de Joyce dos Santos em 1 maio 2013 às 19:15

    Amigos,
    Se o assunto é espiritismo, eu acho que o espaço é super adequado e oportuno.
    O estudo do passado e a análise dos nossos erros servem para não os repetirmos.
    Quando André diz:

    “MUITAS MENTES ABISSAIS ESTÃO QUERENDO APROVEITAR QUALQUER INVIGILÂNCIA NOSSA PARA DESVIAR O FOCO DA EVOLUÇÃO MORAL NECESSÁRIA PARA DAR SUPORTE AO MOMENTO CITADO. ”

    Eu penso que houve invigilância da FEB ao resolver adotar a tese roustenista ao invés de abraçar a proposta Kardequiana.
    O que eu vejo é uma acomodação na velha fórmula religiosa de pertencer a uma instituição, frequenta-la, cumprir obrigações e rituais semanais e até mesmo diários. Não há sinceridade, não há autenticidade nesse movimento, salvo algumas exceções, ele é exterior, por isso as pessoas não mudam verdadeiramente.
    Não podemos ignorar que em dois mil anos de cristianismo vimos a sociedade caminhar para o culto exterior, a superficialidade, o materialismo, o consumismo, a vaidade, as máscaras sociais e uma desigualdade que não se justifica.
    A proposta espírita é muito diferente. É a de dar conhecimento aos homens da sua verdadeira essência e mostrar o caminho que possibilitem o crescimento interior. E isso levará à tal transição planetária que não será automática como muita gente sonha. Ela será lenta e gradual segundo nossos esforços. Cada um de nós irá participar ou não desse novo mundo de regeneração, vai depender das nossas escolhas hoje.
    O assunto Roustaing eu considero importante ser estudado porque foi a postura mística e os conceitos do roustenismo que conduziram o Espiritismo para hoje estar estabelecido como mais uma religião cristã. O que não é.

  2. Por desconhecer e ignorar os erros do passado continuamos repetindo os mesmos erros com outros nomes. Por exemplo: Os erros de Roustaing não estão somente ligados ao corpo fluídico de Jesus, como o irmão do artigo deixou claro, foi a postura dogmática e fanática no que os espíritos diziam que foi o maior erro dele. A atitude e a postura igrejeira de Roustaing e de seus discípulos, contrastando do a postura cientifica e metodológica de Allan Kardec e hoje o movimento Espirita Brasileiro está infestado desse igrejismo fanático. E será que essa postura está morta e enterrada? Claro que não ela continua sendo o maior empecilho para o desenvolvimento do MEB. Da mesma forma que Roustaing agia, sem qualquer critério que verificação e validação das mensagens, a maioria dos Espiritas do MEB também agem.
    E o que é pior não veem que os espíritos copiam algumas teorias esdrúxulas de Roustaing. Exemplo disso é o dos criptógamos carnudos, espíritos que perderam a forma física (humana) pelo mal que fizeram e vivem como lesmas. André Luís copia essa ideia e só muda o nome para ovoides. Claro que essa teoria é um absurdo do ponto de vista espirita. Mas as pessoas acham que é verdade e acreditam sem qualquer problema. Sem qualquer critério de validação dessas pretensas revelações.
    “O ignorante comete erros e não aprende, o inteligente comete erros e aprende, mas o sábio aprende com os erros dos outros.”

    Deus nos abençoe.

    1. Comentário de Tadeu Sabóia em 2 maio 2013 às 10:40

      Pois é já faz 150 anos e nós ainda cometemos os mesmos erros. Exatamente por posturas como essas: deixa para lá; vamos fazer de conta que está tudo resolvido; o silencio é uma prece; o que importa é o amor.
      Só me respondam uma coisa: Qual é o problema de informar, divulgar e aprender com esses erros do passado?
      Quanto a comissão da verdade nós já temos: é a obra de Allan Kardec. O futuro é implacável.
      Deus nos abençoe.

  3. Comentário de Tadeu Sabóia em 2 maio 2013 às 11:24

    Outra coisa é que o Movimento Espirita Brasileiro é mais semelhante a um Movimento Roustenista do que de Allan Kardec. Graças ao movimento religioso-igrejeiro-fanático-dogmático da FEB e do trabalho de Bezerra de Meneses o MEB está completamente misturado com as ideias Roustenista.
    Quando os médiuns famosos como Chico Xavier, Ivone do Amaral, Divaldo Franco, psicografam sob a influência de Espíritos famosos a aceitação do que lá está escrito é “ala” Roustaing e não como Kardec ensinou: avaliar, comparar e só aceitar revelações dos espíritos depois de uma avaliação criteriosa. Aliás não há qualquer avaliação dos livros desses espíritos e recebidos por esses médiuns.
    Exemplo é o livro Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, onde Humberto de Campos coloca Roustaing como fazendo parte da plêiade de espíritos encarnados para auxiliar Kardec, ajuda danada de boa! Oxe! Segue abaixo:
    Humberto de Campos narra, nas páginas 175 e 177: “O século XIX, que surgira com as últimas agitações provocadas no mundo pela Revolução Francesa, estava destinado a presenciar extraordinários acontecimentos. (…). Foi assim que Allan Kardec, a 3 de outubro de 1804, via a luz da atmosfera terrestre, na cidade de Lion. Segundo os planos de trabalho do mundo invisível, o grande missionário, no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares da sua obra, designados particularmente para coadjuvá-lo, nas individualidades de João-Batista Roustaing, que organizaria o trabalho da fé; de Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico; de Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica e de Camille Flammarion, que abriria a cortina dos mundos, cooperando assim na codificação Kardequiana no Velho Mundo e dilatando-a com os necessários complementos.”
    O trabalho era da implantação da fé fanática e dogmática.
    Querem mais? O famoso pacto da vergonha, ou melhor o Pacto Áureo, diz assim:

    “Pacto Áureo” (05/10/1949)

    O Conselho [Federativo Nacional da F.E.B.] fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Francisco Cândido Xavier.”

    Assim está demonstrado que a questão de Roustaing está mais viva e atual do que nunca.

    Deus conosco.

  4. Comentário de Tadeu Sabóia em 2 maio 2013 às 12:06

    A PEDRA E O JOIO
    Jorge Rizzini

    A doutrina espírita tem sofrido agressões dentro do próprio movimento doutrinário, de que são exemplos o Roustainguismo, o Ramatisismo, o “espiritismo divinista” de Oswaldo Polidoro, as campanhas contra o aspecto religioso do espiritismo, a pretensa superação da obra de Allan Kardec e as ridículas mistificações psicográficas que proliferam em quantidade assombrosa de norte a sul do País.
    A propósito escreveu Herculano Pires: “Urge que os espíritas sensatos e responsáveis tomem posição contra essa avalanche de absurdos, tenham a coragem e a franqueza de falar a verdade em defesa do espiritismo doa a quem doer”.
    Essa atitude de defensor intransigente da integridade da doutrina espírita, o apóstolo de Kardec – já o dissemos – assumiu durante os quarenta e poucos anos em que atuou no movimento doutrinário nacional, pois além da cultura enciclopédica sobravam-lhe coragem, franqueza e amor pela nossa doutrina. E por compreender desde jovem que “a defesa da verdade está sempre acima dos melindres pessoais”, assumiu a defesa da obra de Chico Xavier em 1962 quando o Movimento Universitário Espírita de São Paulo e o Grupo Espírita Emmanuel, da cidade de Garça – grupo liderado por Rolando Ramaciotti, o qual editaria mais tarde livros de Chico Xavier – denunciaram Divaldo Pereira Franco de plagiar mensagens e copiar frases (particularmente, de Emmanuel) psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira e atribuí-las a outros espíritos através de sua “própria” mediunidade… As instituições acima já haviam enviado aos centros espíritas mais de trinta mil folhetos que confrontavam esses textos quando J. Herculano Pires, pela imprensa, entrou em ação. Chico Xavier, por determinação de Emmanuel, somente voltou a encontrar-se com o admirável orador baiano quinze anos após o escândalo.
    Mais grave, talvez, que o episódio acima foi a publicação do livro A Teoria Corpuscular do Espírito, de autoria de Hernani Guimarães Andrade, amigo de Herculano Pires e frequentador de seu lar. Engenheiro e culto, estreava na literatura, mas nessa obra já se apresentava como “renovador” da doutrina espírita… Eis algumas afirmações suas:
    “O espiritismo ressente-se de falta de teorias que lhe facultem avanço seguro na estrada da pesquisa metódica de laboratório. ”
    “Allan Kardec declarou em suas obras que o espiritismo abriria mão dos conceitos expostos a favor das conquistas da ciência oficial. ”
    “A Ciência Espírita precisa progredir até mesmo, se necessário, à custa de reforma nos seus postulados. ”
    E mais: “Os adeptos da doutrina devem ter a coragem de voltar atrás se preciso; reformar conceitos velhos; sacudir o pó da suposição para descobrir a realidade soterrada; abrir mão do dogmatismo comodista e ignorante, que se aferra à forma e esquece o espírito”.
    Afirmações ousadas do nosso confrade, que prometia outros volumes para complementar sua teoria… Herculano Pires respondeu ao amigo com uma série de artigos publicados em sua famosa coluna espírita dominical no Diário de São Paulo e, depois, enfeixou-os em um livro que recebeu o título de A Pedra e o Joio, em cujas páginas lê-se estes tópicos:
    “Se a teoria corpuscular fosse apresentada como doutrina à parte, sem nenhuma ligação com o espiritismo, pouco nos interessaria. Mas, tratando-se de uma nova tentativa de reforma doutrinária, somos obrigados a encará-la com a devida firmeza. ”
    E o mestre acrescenta:
    “… a teoria corpuscular do espírito representa um retrocesso. Reduz o espírito à matéria e condiciona o seu aparecimento e o seu desenvolvimento às influências materiais. Além disso, a teoria se apresenta como um arranjo sincrético, uma mistura de concepções diversas, às vezes até contraditórias. Falta-lhe orientação lógica. Empirismo filosófico, elementarismo psicológico, atomismo grego, monadismo leibniziano, misticismo hinduísta, espiritismo kardequiano e relativismo científico moderno, são misturados ao sabor das conveniências. ”
    E, referindo-se de um modo geral aos pretensos reformadores de Kardec, aos quais chamava de “novidadeiros”, acentuou:
    “A mania do cientificismo vem produzindo grandes estragos em nosso movimento espírita. Qualquer possuidor de diplomas de curso superior se julga capacitado a transformar-se em cientista do dia para a noite. E logo consegue uma turma de adeptos vaidosos, prontos a seguir o iluminado que lhes empresta um pouco do seu falso brilho. O desejo de elevar-se acima dos outros, conhecendo mais e sabendo mais, é praticamente incontrolável na maioria das pessoas. (…) Afrontam e amesquinham Kardec na vaidosa suposição de que o estão auxiliando, quando não o agridem abertamente, com o menosprezo à sua missão espiritual e a sua qualificação cultural. Não foram ainda capazes de encarar a missão de Kardec e a obra de Kardec sem pensar primeiro em si mesmos e nas suas supostas capacidades culturais ou supostas habilitações espirituais. ”
    “A doutrina (escreveu Herculano Pires em carta endereçada ao jornalista Agnelo Morato em 8/7/1971) é o que de mais importante existe no mundo. Sua missão é divina – a do Consolador. As trevas lutam contra ela por todos os meios, servindo-se particularmente dos elementos que podem fascinar em nosso próprio movimento. Se não estivermos alertas e não soubermos discernir iremos de roldão. A massa espírita é ingênua, simplória, invigilante. Se nós que estamos nas primeiras linhas, não soubermos guardar-nos e repelir as manobras das trevas, terminaremos responsáveis pelo fracasso da doutrina. Seremos os novos Judas, inquietos e invigilantes como ele o foi. ”
    Cerca de quinze anos depois, relembrando sua intervenção no caso da teoria corpuscular, Herculano Pires abordou em um artigo a questão da crítica no espiritismo¹, do qual pinçamos à guisa de ilustração este trecho:
    “Sem crítica não há correção de erros, não há renovação de conceitos nem abertura de perspectivas para a evolução. Pode o espírita desprezar e condenar a crítica? Se o pode, como julgar a legitimidade ou não das comunicações mediúnicas, como poderá passar as mensagens pelo crivo da razão, segundo a recomendação de Kardec, como enfrentará as mistificações que hoje, mais do que nunca brotam e se propagam como tiririca no meio da seara? Como apreciará o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado? Quem renuncia a julgar (e, portanto, a criticar) está condenado a viver no erro e a ajudar a divulgação da mentira contra a verdade. (…). Quando critiquei uma teoria esdrúxula que apareceu em São Paulo, sob a responsabilidade de um companheiro culto, muitos espíritas se escandalizaram. Mas hoje muitos dos escandalizados me dão a mão à palmatória. A falsa teoria não conseguiu manter-se em pé. A crítica serviu para abrir os olhos a muitas pessoas de boa vontade, mas desprovidas de senso crítico, que estavam se deixando fascinar pela novidade. ”

    ¹Vide o jornal Mundo Espírita, edição de 30 de abril de 1974.

    1. Comentário de Paulo Artur Gonçalves em 2 maio 2013 às 13:33

      Proponho
      Criação da Comissão da Verdade ….
      Obs. Fico de fora.
      Não tenho tempo a perder a menos que esta comissão chegue a um veredicto similar a máxima de Omar I (586 – 684) para justificar a queima de livros promovida na biblioteca de Alexandria dizendo:
      Se os livros contém a mesma doutrina do Corão, não servem para nada, porque são repetitivos; se os livros não estão de acordo com a doutrina do Corão, não há razão para conserva-los.

      1. Comentário de Tadeu Sabóia em 2 maio 2013 às 13:46

        Eu também não quero entrar nessa comissão da verdade. Proponho criar a comissão da divulgação e da instrução dos Espiritas. Proponho ainda a criação da comissão de ensino e estudo do Espiritismo (Allan Kardec).
        Enquanto não criamos essas comissões, vamos continuar por aqui divulgando esses erros e esses enganos. E o Kardec Online é uma ferramenta excelente para isso. Divulguem, critiquem e analisem. O Espiritismo agradece.
        Quem não tem tempo a perder com a divulgação e com a estudo da Doutrina Espírita não tem problema algum.

        Deus conosco.

  5. Comentário de Humberto de Oliveira Vasconcelos em 2 maio 2013 às 16:59

    Primeiramente devo dizer que a maior contribuição dos Quatro Evangelhos estás em considerar, no item 59 do primeiro volume, nossa condição de Espíritos decaídos. A reencarnação é uma condição típica dos Espíritos decaídos; somos filhos pródigos. A reencarnação não é uma necessidade evolutiva é um castigo. Através dela há evolução a duras penas, mas só para os decaídos. Oportunamente direi mais sobre o assunto.

    Que Jesus abençoe a todos.
    Humberto

  6. Comentário de Claudio Tollin em 2 maio 2013 às 19:05

    É incrível a demonstração de falta de raciocínio lógico dos que defendem a trindade universal. Talvez pela aceitação cega ou fanática de que os Espíritos tudo sabem e que ao darem sua opinião nunca erram.
    Vejamos o absurdo e contrassenso da opinião do(s) espirito(s) à questão sábia feita por Kardec no LE. Aliás Kardec demonstrou em relação aos animais e os homens que não aceitava a ideia de que Deus havia criado seres para serem eternamente submissos a outros pois isso contrariaria o princípio de justiça e igualdade (Q 604 do LE). No entanto, com relação à matéria inerte ele afirmou que, por fruto da observação, a via como desprovida de inteligência em contraposição ao princípio inteligente que parecia ser independente. Poderiam ter ou não uma fonte comum e pontos de contato necessários.
    No Livro dos Espíritos, uma opinião (de um ou vários espíritos) quis dar a entender que Deus criou não apenas um elemento primário, primitivo, mas dois e também mais um intermediário.

    27. Haveria, assim, dois elementos gerais do Universo; a matéria e o espírito?
    – Sim, e acima de ambos Deus, o Criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como elemento material, ele se istingue por propriedades especiais. Se fosse simplesmente matéria, não haveria razão para que o espírito não o fosse também. Ele está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria; susceptível, em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do espírito, de produzir infinita variedade de coisas, das quais não conheceis mais do que uma ínfima parte. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elemento, sendo o agente de que o espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.

    Comenta Kardec:
    Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são desconhecidas. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja, mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, – é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que as consideramos formando dois princípios constituintes do Universo.

    Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.
    Seria por esta razão que José Herculano Pires considera inaceitável o trabalho do pesquisador Hernani Guimarães Andrade?
    Vemos que o Espirito se enrolou todo tentando dizer que o elemento intermediário poderia ser considerado matéria sob um certo ponto de vista, mas que não o poderia ser por dela se distinguir pelas propriedades especiais. Então seria ou não uma terceira criação de Deus? Se fosse matéria não haveria por que o espírito não o ser também! Logicamente então teria que ser algo diferente da matéria e então seria um terceiro elemento. A trindade já não seria trindade…. Puxa, que confusão criou este espírito.
    No meu modo de entender o pensamento do Hernani foi prematuramente descartado. Pior ainda se o foi com base na Q 27 do LE.
    Herculano e suas reflexões filosóficas tiveram à época, e parece que ainda hoje, forte impacto nas mentes que vêm as opiniões dos espíritos como sagradas. Hernani seria um herege e candidato à fogueira não estivéssemos em tempos mais liberais. As descobertas científicas estão mais nos aproximando do Hernani à medida que nos afastam dos que vêm Deus como o Pai que criou os “brinquedos” de matéria para distrair seus filhos, mas que se destinam a ter o papel eterno de “brinquedos”.
    Grande serviço à busca da pesquisa e contribuição ao conhecimento prestou o irmão Hernani Guimarães.
    H. Pires contribuiu com sua opinião, mas o peso que sua opinião exerce em seus fanáticos leitores, acabou por deixá-los na ignorância quanto à forma dogmática e cega com a qual estudam a Codificação. Enxergam a opinião dos espíritos como sendo “letras sagradas” e assim, cegamente, o que chamam de “estudar Kardec” significa “decorar Kardec”.
    Ironicamente, estes ainda acham que os demais é que têm atitudes igrejeiras. Não fosse isso uma tragédia, seria até uma fina e cômica ironia.

    1. Comentário de Tadeu Sabóia em 3 maio 2013 às 11:03

      Tollin para mim Os Espíritos da codificação, Kardec e Herculano usam de uma lógica muito boa e absolutamente válida. Contudo também acho a teoria corpuscular do espirito de Hernani Guimarães bastante coerente com as ideias dele. Assim temos duas teorias que se confrontam ideologicamente. Uma admite 3 elementos constitutivos do universo, Deus, Espirito e Matéria (Kardec, Herculano e a grande maioria dos pesquisadores espírita), e outra admite apenas 2 Deus e um mesmo princípio para o Espirito e Matéria (Hernani, Tollin e poucos pesquisadores espiritas). Como Kardec eu penso que saber desse princípio nada tem de essencial, pois vemos os 3 elementos distintos e a origem escapa as nossas investigações. Dessa forma o campo está aberto para as teorias na tentativa de explicar esse problema. Qual será a mais lógica e racional? A única coisa que podemos fazer é criar teorias mais ou menos lógicas. E cada fica livre para julgar a que melhor se adeque a sua visão.
      Acho que o Espirito não se enrolou para explicar não. Ele apenas tentou tornar um assunto deveras profundo filosoficamente o mais inteligível possível para o vulgo e para o leigo, não acostumado a raciocínios filosóficos mais complexos. Pois a proposta da codificação é deixar as coisas as mais claras possíveis.
      Queria acrescentar como fonte de pesquisa não apenas o livro dos Espíritos, onde Kardec parece não admitir completamente a ideia do espirito que respondeu a sua pergunta. Kardec, vai ficar claro com o texto que se segue, concorda completamente com o espirito do L.E. E vamos ver o porquê que Allan Kardec concorda. A lógica que ele usou para tomar partido pela trindade universal. Qual o raciocínio baseado na manifestação sensível do mundo.
      Recomendo a leitura na integra do capitulo. Colocarei apenas aqui apenas a parte que se liga mais diretamente a discussão aberta por Tollin.

      A Gênese » A Gênese » Capítulo XI – Gênese espiritual » Princípio espiritual » Princípio espiritual

      5. São a mesma coisa o princípio espiritual e o princípio vital?
      Partindo, como sempre, da observação dos fatos, diremos que, se o princípio vital fosse inseparável do princípio inteligente, haveria certa razão para que os confundíssemos. Mas, havendo, como há, seres que vivem e não pensam, quais as plantas; corpos humanos que ainda se revelam animados de vida orgânica quando já não há qualquer manifestação de pensamento; uma vez que no ser vivo se produzem movimentos vitais independentes de qualquer intervenção da vontade; que durante o sono a vida orgânica se conserva em plena atividade, enquanto que a vida intelectual por nenhum sinal exterior se manifesta, é cabível se admita que a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao Espírito. Ora, desde que a matéria tem uma vitalidade independente do Espírito e que o Espírito tem uma vitalidade independente da matéria, evidente se torna que essa dupla vitalidade repousa em dois princípios diferentes. (Cap. X, nos 16 a 19.)

      6. Terá o princípio espiritual sua fonte de origem no elemento cósmico universal? Será ele apenas uma transformação, um modo de existência desse elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc.?
      Se fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria; extinguir-se-ia pela desagregação, como o princípio vital; momentânea seria, como a do corpo, a existência do ser inteligente que, então, ao morrer, volveria ao nada, ou, o que daria na mesma, ao todo universal. Seria, numa palavra, a sanção das doutrinas materialistas.
      As propriedades sui generis que se reconhecem ao princípio espiritual provam que ele tem existência própria, pois que, se sua origem estivesse na matéria, aquelas propriedades lhe faltariam. Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se, remontando dos efeitos à causa, à conclusão de que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constitutivos do Universo. Individualizado, o elemento espiritual constitui os seres chamados Espíritos, como, individualizado, o elemento material constitui os diferentes corpos da Natureza, orgânicos e inorgânicos.

      7. Admitido o ser espiritual e não podendo ele proceder da matéria, qual a sua origem, seu ponto de partida?
      Aqui, falecem absolutamente os meios de investigação, como para tudo o que diz respeito à origem das coisas. O homem apenas pode comprovar o que existe; acerca de tudo o mais, apenas lhe é dado formular hipóteses e, quer porque esse conhecimento esteja fora do alcance da sua inteligência atual, quer porque lhe seja inútil ou prejudicial presentemente, Deus não lhe outorga, nem mesmo pela revelação.
      O que Deus permite que seus mensageiros lhe digam e o que, aliás, o próprio homem pode deduzir do princípio da soberana justiça, atributo essencial da Divindade, é que todos procedem do mesmo ponto de partida; que todos são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir pelas suas atividades individuais; que todos atingirão o grau máximo da perfeição com seus esforços pessoais; que todos, sendo filhos do mesmo Pai, são objeto de igual solicitude; que nenhum há mais favorecido ou melhor dotado do que os outros, nem dispensado do trabalho imposto aos demais para atingirem a meta.

      8. Ao mesmo tempo que criou, desde toda a eternidade, mundos materiais, Deus há criado, desde toda a eternidade, seres espirituais. Se assim não fora, os mundos materiais careceriam de finalidade. Mais fácil seria conceberem-se os seres espirituais sem os mundos materiais, do que estes últimos sem aqueles. Os mundos materiais é que teriam de fornecer aos seres espirituais elementos de atividade para o desenvolvimento de suas inteligências. ”

      Com isso Tollin quero deixar evidente que Herculano estudou muito Kardec, a vida inteira, era um grande filosofo, por profissão (Doutor em Filosofia) e por competência, tinha uma cultura excepcional de mundo, era um grande escritor, poeta, jornalista, tradutor de Kardec, um pesquisador exímio, mais de 80 livros (não mediúnicos) publicados, considerado o maior e mais profundo estudioso de Kardec e do Espiritismo que o mundo já viu, moral e atitudes caritativas irreprocháveis. Então se os estudiosos do espiritismo escolheram a explicação de Kardec e de Herculano, para a trindade universal, é não por qualquer tipo de coação de Herculano, mas sim pelo seu trabalho de pesquisador e de estudioso do Espiritismo e é claro que foi também pela lógica utilizada por ele para demonstrar que a Teoria Corpuscular de Hernani era um engano. Quero dizer que os pensamentos e as reflexões de Herculano nada têm de sagradas, mas tem sim muita lógica, coerência e fidelidade ao Espiritismo. Além de serem muito atuais. Claro que não me coloco na condição de fanático leitor de Herculano, mas se existem pessoas assim dentro do espiritismo não é por causo do trabalho de Herculano que sempre venceu os detratores do espiritismo com muita racionalidade e lógica.

      Deus conosco.

      1. Comentário de Claudio Tollin em 4 maio 2013 às 3:51

        Estimado Tadeu
        Inicialmente fiz os comentários, como deve ter percebido, com base na opinião de Herculano no livro A Pedra e o Joio. Ele achou justo fazê-la e o Hernani achou que ele foi apressado e superficial. Cada qual ficou com sua opinião. Agora você quer fazer valer que o aspecto quantitativo se sobrepõe ao qualitativo em questões que não estão nem ao menos próximas de nossa compreensão. Você acha que só porque a maioria aceita a visão de um Deus antropomórfico, devemos fazê-lo? Galileu teria que aceitar as opiniões dos teólogos de sua época?
        O comentário feito por Kardec à Q. 27, por si só já deixa claro a visão que ele tinha, pela observação, de que existe a matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria.
        “Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja, mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, – é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que as consideramos formando dois princípios constituintes do Universo”.
        Depois, em A Gênese, ele vai publicar as opiniões do espírito Galileu, tendo por médium Camille Flammarion, das quais você postou uma parte.
        Evidentemente, em se tratando de princípios, material e espiritual, existe a complexidade e, no momento, a impossibilidade de conhecermos e, mais ainda, entendermos a origem de ambos. (Tanto Kardec quanto Galileu se declaram desprovidos de condições para o saberem). Seria necessário que já tivéssemos uma perfeita compreensão do que é Deus, pois em última instância ainda entendemos que Ele teria que ser alguma coisa. (Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. – Ponto final; mais nada podemos acrescentar). O que se tentou fazer na Codificação foi dar a Ele atributos (limitados e insuficientes, é claro).
        Analisando as respostas dadas pelos Espíritos também pouco acrescentam e até mesmo, entendo, confundem mais a questão.
        Por um lado: “A matéria é o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação” (ao mesmo tempo? O que quis dizer com isso?)
        Por outro: “São distintos, mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta”. (Dar inteligência? O que quis dizer com isso?)
        Daí conceber o princípio material como o substrato para o progresso do princípio inteligente, foi através da observação. (Seriam estas observações suficientes? Não careceriam de conceitos mais desenvolvidos sobre o que é inteligência?)
        No quesito observação hoje sabemos que aquilo que vemos como matéria, quando analisada em termos de suas partículas menores, comporta-se de forma “estranha”, desafiando as leis da mecânica clássica. Então nossa observação e a percepção podem não ser suficientes para darmos um ponto final.
        Entendo que ao refletirmos sobre estas questões estamos estudando as opiniões dos espíritos a respeito das mesmas conforme as perguntas formuladas por Kardec. Não estamos refutando o Espiritismo pois este transcende estas questões.
        Lembrando o que escreveu o JHPires: “Por isso, Kardec, esclareceu, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, que o princípio religioso da doutrina não era o de salvação pela fé, e nem mesmo pela verdade, mas pela caridade. A fé é sempre interpretada de maneira particular, como a dogmática de determinada igreja a apresenta. A verdade é sempre condicionada às interpretações sectárias. Mas a caridade, no seu mais amplo sentido, como a fórmula do amor ao próximo ensinada pelo Cristo, supera todas as limitações formais. A salvação espírita não está na adesão a princípios e sistemas, mas na prática do amor”.

        Fraternalmente,
        Claudio

        1. Comentário de Tadeu Sabóia em 4 maio 2013 às 11:20

          Querido Tollin,
          “Agora você quer fazer valer que o aspecto quantitativo se sobrepõe ao qualitativo em questões que não estão nem ao menos próximas de nossa compreensão. Você acha que só porque a maioria aceita a visão de um Deus antropomórfico, devemos fazê-lo? Galileu teria que aceitar as opiniões dos teólogos de sua época? ”
          Quando eu falei de maioria, não falei de qualquer maioria e sim dos estudiosos. Além do mais quando galileu conseguiu demonstrar a sua teoria os estudiosos da época resolveram que a teoria dele era melhor do que a outra. É o que não acontece nesse caso aqui.
          Eu não disse que a teoria de Hernani estava em erro. Eu disse apenas que diante da Lógica de Kardec + Herculano a sua e a de Hernani não é melhor e nem mais coerente. Por isso a maioria dos estudiosos continua com Kardec. Claro que o futuro será o grande juiz da questão.

          Deus conosco.

          1. Comentário de Claudio Tollin em 4 maio 2013 às 14:03

            Sem dúvida Tadeu, toda ideia nova sofre rejeição. Foi assim também com o magnetismo e o Espiritismo, conforme atestou Kardec. O argumento de que se valeu de opinião de estudiosos também foi usado contra o Espiritismo. Para mim isto não tem importância alguma e parece mais uma posição desprovida de racionalismo.
            O tempo dirá e nisso estamos de acordo.

  7. Comentário de André Dias em 4 maio 2013 às 11:49

    Verifiquem o quanto estamos perdendo tempo com questões que não vão nos levar a lugar algum, pois está escrito que só saberemos quando estivermos preparados para tal.
    Os conceitos adquiridos por cada um não serão modificados em minutos e aí entram os conceitos interpretativos individuais.
    Sabendo e respeitando, claro, que é de fundamental importância o debate, mas…
    A essência de qualquer fato é a verdade e estamos muito longe dela. A presunção é uma arma mortífera contra aqueles que não tem a humildade.

    1. Comentário de Tadeu Sabóia em 4 maio 2013 às 12:41

      Amado André ainda estou no aguardo de sua demonstração da minha falta de respeito para com alguém do Kardec Online. Caso o irmão não saiba a quem acusa cabe o ônus da prova. Mas se te desrespeitei ou ofendi alguém peço minhas desculpas. Se o irmão também não quiser dizer onde cometi essa falta de caridade não tem problema.

      Quando André diz:

      “Verifiquem o quanto estamos perdendo tempo com questões que não vão nos levar a lugar algum, pois está escrito que só saberemos quando estivermos preparados para tal. ”

      André se você acha que o assunto é uma perda de tempo tudo bem, só não entendo por que você usa o termo “estamos”, pois isso significa que nós estamos perdendo tempo também. É claro que isso não é verdade, pois no máximo você é que está perdendo tempo, pois eu não estou, sei que aqui estou investindo tempo em algo que acredito: Espiritismo. O mesmo raciocínio vale para: “não vão NOS levar a lugar algum” talvez e no máximo não leva você a lugar algum, o que não te autoriza a colocar NOS, pois isso, discussão, me leva a refletir e aprender cada vez mais sobre o Espiritismo.
      Se o irmão acha que existem temas melhores fique à vontade para criar tópicos desses assuntos que você acha tão importante. E se acha que aqui é perda de tempo e de utilidade você é livre para não participar. Ninguém está te constrangendo a perder tempo aqui com a discussão. Mas se alguém abriu o assunto é porque para ele é importante e para os outros participantes também. E de forma coerente com seu raciocínio se é perde de tempo e sem utilidade para você, então porque você está participando?
      Você iria gostar se abrisse um tema que você acha muito importante e que alguém no meio do diálogo dissesse que esse tema não é importante e é perda de tempo? E se você instigasse as pessoas a abandonar o debate seria legal isso?
      Para mim todos os assuntos merecem atenção e reflexão a luz da doutrina espírita, mas é claro que discutir e dialogar sobre alguns assuntos que irão mudar as coisas e que existem algumas pessoas ou instituições interessadas nas coisas do jeito que estão, pois isso as favorece. Aí sim eu compreendo o medo do diálogo e da discussão. Pois no MEB o silencia é uma prece. Claro que eu sei que não é este o caso do irmão André.

      Deus conosco.

  8. Comentário de Tadeu Sabóia em 4 maio 2013 às 15:37

    Tollin o que você disse é uma Verdade verdadeira… todas as ideias novas sofrem rejeição, algumas morrem com a rejeição e outras sobrevivem a rejeição. Não é porque é nova e sofre rejeição que é a melhor alternativa. É a melhor alternativa se está mais próxima da verdade.

    Deus conosco.

    1. Comentário de Franciene Gonçalves em 4 maio 2013 às 18:08

      “Roustaing é assunto morto e enterrado e que nada acrescenta ao dia de hoje.”
      Paulo, meu amigo, Roustaing não é um assunto morto no MEB, embora seja conscientemente desconhecido, suas ideias estão presentes, mesmo que se diga “o Docetismo já morreu”, mas a intensão de transformar o Espiritismo numa religião, de buscar explicar a Bíblia como sendo “a verdade”, de manter a alienação… (nada justifica a alienação, nem mesmo o sofisma do desenvolvimento moral,” silêncio!”, “silêncio!” “este barulho atrapalha a evolução…”, alguma semelhança com as mordaças do passado? Roustaing é um atavismo desnecessário, pois não precisamos ser dependentes do atavismo, a menos que ele seja salutar. Podemos arrancar este joio, ou vamos esperar a vinda dos anjos do céu?)

  9. Comentário de Joyce dos Santos em 4 maio 2013 às 21:53

    Vejam como são importantes esses debates!
    Além estimular o estudo, que nos faz crescer intelectualmente; nos relacionando exercitamos a tolerância e a paciência.
    Todas as questões que dividem os adeptos do espiritismo, precisam ser expostas para que todos busquem entender suas origens; estuda-las, discuti-las, e encontrar soluções.
    Como disse Herculano, tentativas de reforma da DE devem ser tratadas com a devida firmeza, não permitindo que sejam consideradas como um princípio espírita antes de serem devidamente e claramente comprovada.

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