A Nova Literatura Mediúnica

As palavras de Paulo – inegavelmente a maior autoridade em assuntos mediúnicos dos tempos apostólicos – deveriam servir de alerta àqueles que têm a responsabilidade da publicação de obras de origem mediúnica.
  A literatura mediúnica tem aumentado de maneira assustadora. Diariamente, aparecem novos médiuns, novos livros, alguns bem redigidos, se observados quanto ao aspecto gramatical, mas de conteúdo duvidoso se analisadas as revelações fantasiosas que iludem muitos novatos, ainda sem conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame criterioso daquilo que leem. Muitos desses livros se originam de Espíritos ardilosos que, de maneira sutil, se lançam no meio espírita como arautos de novas revelações capazes de encantarem leitores menos preparados, aqueles sem um lastro de conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame lúcido, capaz de os levar a conclusões esclarecedoras.
  Muitas pessoas que conheceram recentemente a Doutrina, antes de estudarem Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e outros autores conceituados; antes de lerem as obras de médiuns como Francisco Cândido Xavier, Yvonne A. Pereira, Divaldo Franco, José Raul Teixeira, estão se deparando com obras fantasiosas, escritas em linguagem vulgar, contendo o que pretendem seus autores – encarnados e desencarnados – sejam novas revelações. Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, Meimei, Manoel Philomeno de Miranda, Joanna de Ângelis e tantos outros Espíritos se tornaram conhecidos e respeitados pelo conteúdo sério, objetivo, seguro, esclarecedor de suas obras, sempre redigidas em linguagem nobre. Esses Espíritos conquistaram, pouco a pouco, o respeito, a credibilidade e a admiração do público espírita pelo conteúdo de seus escritos, na forma de mensagens ou de livros, publicados espaçadamente, como que dando tempo a um estudo sereno e criterioso do seu conteúdo.
  Nos dias que correm, infelizmente, o quadro se modificou. Muitos médiuns, valendo-se de nomes já conhecidos pelo valor de suas obras, tentam impor-se aos leitores espíritas, não pelo valor das mensagens em si, mas escorados em nomes respeitáveis.
  Sabendo-se que nomes pouco importam aos Espíritos esclarecidos, é de se perguntar por que os benfeitores que se notabilizaram através de Francisco Cândido Xavier haveriam de continuar usando seus nomes em mensagens transmitidas através de outros médiuns?
  Se o importante é servir à causa do Bem, por que essa continuidade na identificação, tão pessoal, tão terrena?
  Não seria mais consentâneo com a impessoalidade do trabalho dos Servidores do Bem deixar que o valor intrínseco da mensagem se revele, sem estar escorado num nome conhecido?
  Por que não deixar que a mensagem se imponha pelo valor de seu conteúdo?
  Por que escudar-se em nomes respeitáveis, quando o texto não resiste a uma comparação, até mesmo superficial, de conteúdo e, às vezes, até mesmo de forma?
  Por que essa ânsia insofreável de publicar tudo o que se recebe – ou que se imagina ter recebido – dos Espíritos?
  Onde o critério, a sobriedade tantas vezes recomendada na obra de Kardec?
  Será que o público espírita já leu, estudou, analisou, entendeu toda a produção mediúnica produzida até agora?
  Ao dizer isso não se está afirmando que a fase de produção mediúnica está encerrada.
  Sabe-se que a Doutrina é dinâmica, que a revelação é progressiva. Progressiva, e não regressiva, pois há obras que estão muito abaixo daquilo que se publicou até hoje, para não dizer que há aquelas que nunca deveriam estar sendo publicadas. Infelizmente, os periódicos espíritas, de modo geral, não publicam análises dessas obras que estão sendo comercializadas, ostentando indevidamente o nome da Doutrina. Impera, no meio espírita, um sentimento de falsa caridade, um pieguismo mesmo, que impede se analise uma obra diante do público.
  Essas atitudes é que encorajam médiuns ávidos de notoriedade à publicação dessa verdadeira avalanche de obras, que vão desde aquelas discutíveis a outras verdadeiramente reprováveis. Nesse particular, é justo se chame a atenção dos dirigentes de núcleos espíritas, sejam centros, sejam livrarias, a fim de que avaliem a responsabilidade que lhes cabe quanto ao que é dado a público em nome do Espiritismo.
  O dirigente – ou o grupo responsável pela direção de uma casa espírita – responderá perante o Alto, sem a menor dúvida, pela fidelidade aos princípios doutrinários de tudo o que se divulga em nome do Espiritismo, seja na exposição oral, num livro ou simplesmente num folheto. O mesmo se diga relativamente àqueles responsáveis pelas associações intituladas “clube do livro”.


José Passinipassinijose@yahoo.com.br

Publicado por Edson Rocha em Fevereiro de 2012

4 thoughts on “A Nova Literatura Mediúnica

  1. Comentário de Alexandre Fidelis em 18 fevereiro 2012 às 14:54

    Amigo, isso é um dos motivos de grande decepção que venho passando ultimamente, não estou chateado com a Codificação, isso nunca, mas estou me decepcionando com pessoas, cada vez mais! Muitos gostam mesmo é da fantasia, do misticismo.
    Na verdade, é o comércio $$$$ que movimenta isso.

  2. Comentário de Dorival Ribeiro Aguiar em 20 fevereiro 2012 às 21:42

    Na minha opinião José Passine deveria dar nomes aos bois. Acho que ajudaria bastante. Sou Presidente de um Centro Espírita, mas não tenho condições de ler tudo que publicam por aí.
    Ajude-nos.

    Abraços
    Dorival

    1. Comentário de Edson Rocha em 21 fevereiro 2012 às 11:25

      Irmão Dorival Ribeiro Aguiar realmente não há possibilidades de conhecer os livros que atentam a Doutrina Espírita. O autor do texto Passine foi generoso com os espíritos de um médium só que trazem, também, aberrações em nome do Espiritismo! Lendo as obras de André Luiz, Emmanuel, Joana de Ângelis, Ramatis e outros mais, encontramos os erros doutrinários que ferem os fundamentos do Espiritismo. Kardec foi bem claro quanto à universalidade dos ensinos dos Espíritos! No Brasil ignora esta atitude e vemos enxurradas de livros, que para serem vendidos são catalogados como Espíritas.
      Quanto aos outros livros que o Irmão não conhece, não se preocupe, basta adotar em seu centro o estudo sistemático de todas as Obras fundamentais da Codificação, ou seja, os 27 livros! Pouquíssimos Espíritas estudaram as revistas Espíritas as únicas consideradas complementares da Codificação.
      Tenho dezenas de publicações nesta Rede que podem ser analisados pelo Irmão, em relação aos erros doutrinários em vários livros. Na dúvida fique com Allan Kardec!

      Grato
      Edson Rocha

  3. Comentário de Andrea Leite Correia em 27 fevereiro 2012 às 20:40

    Passini,

    Muito importante o seu comentário, pois esse fato é realmente preocupante, dadas as proporções que está tomando. Muitos livros sem conteúdo doutrinário, discorrendo de maneira totalmente discordante dos ensinamentos espíritas. Alguns irmãos lembram que há erros mesmo em livros “consagrados” no meio espírita – é um fato, mas o que está acontecendo atualmente é bem diferente – são erros filosóficos, de compreensão e mesmo de orientação moral, numa avalanche de obras que parecem visar apenas o comércio. Atualmente a literatura espírita virou um filão comercial que, aparentemente, está sendo explorado sem maiores preocupações com os aspectos doutrinários.

    Paz e luz!
    Andrea Leite

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