A Aparição de Jesus depois da Morte

A aparição de Jesus depois da Morte

Efetue Login para Deixar de Ver os Anúncios!

Paulo da Silva Neto Sobrinho

  Em várias oportunidades Jesus disse aos seus discípulos que após sua morte ressuscitaria. Preocupa-nos a compreensão correta do que, em seu conceito, era a ressurreição. Vejamos a seguinte passagem:
  “E que os mortos ressuscitem, é Moisés quem dá a conhecer através do episódio da Sarça Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, então, todos são vivos”. (Lc 20,37-38).
  Vejam bem, se Jesus, em se referindo a pessoas que haviam morrido, diz que para Deus todos “são vivos” é porque nossa individualidade sobrevive após a morte, em outras palavras, poderia estar dizendo da nossa condição de espíritos eternos. Ao que chamamos de morte é apenas o processo, ao qual nosso espírito, em seu regresso ao plano espiritual de onde veio, devolve à natureza os elementos constitutivos do corpo físico, cuja finalidade era viabilizar o seu desenvolvimento moral e intelectual. Em vista disso, é que devemos entender que a ressurreição de que Jesus falava não era no corpo físico, e sim o ressurgir em espírito. Foi o que aconteceu com ele. Depois de sua morte esteve ainda na terra em seu corpo espiritual, conforme se encontra em Atos: “Após sua paixão, ele lhes mostrou, com muitas provas, que estava vivo, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do Reino de Deus”. (1,3).
  Sabemos, por informação dos próprios espíritos, que eles se manifestam em seu corpo espiritual, denominado perispírito. Nele é evidenciada toda a evolução moral do espírito, assim quanto mais luminoso maior evolução e, via de consequência, quanto menos luz produzir mais inferior é o espírito. Deve ser pelo motivo de sua luminosidade que, em algumas situações, Jesus não foi reconhecido pelos seus discípulos, como observamos em Mc 16,12: “Depois disto, ele apareceu sob outra forma, a dois deles que estavam a caminho do campo”. Também ao aparecer a Saulo, na estrada de Damasco (At 9, 3-9), veio em sua plenitude espiritual, fato que impossibilitou aos que presenciavam o fenômeno de vê-lo, só ouviram sua voz. Ao narrar esse acontecimento, Paulo diz (At 22,6-9): “… aí pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim”, o que confirma o que estamos dizendo sobre o perispírito refletir a evolução moral.
  A matéria, igualmente, não oferece nenhuma resistência a esse corpo perispiritual. Vejamos a prova disso, pelo fato de Jesus ter entrado em ambiente fechado: “Oito dias depois, os discípulos se achavam de novo na casa, e Tomé com eles. Jesus entrou, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e os cumprimentou: A paz esteja convosco!”. (Jo 20,26).
  Podemos aceitar também que, em algumas circunstâncias, Jesus se materializou diante dos discípulos, nesse caso tornou-se tangível, o que podemos verificar quando diz: “Olhai para minhas mãos e pés: sou eu mesmo! Apalpai-me e vede: um fantasma não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho! Dizendo isto, mostrou-lhes mãos e pés. Mas como hesitavam em acreditar, por causa da muita alegria, e continuavam espantados, Jesus lhes disse: ‘Tendes aqui alguma coisa para comer?’ Deram-lhe um pedaço de peixe grelhado. Ele o tomou e comeu na presença deles”. (Lc 24, 39-43). É bem provável que Jesus, ao se materializar, teve que se comportar como se fosse realmente de carne e osso, tendo em vista que nem os discípulos nem os de sua época tinham conhecimento dos mecanismos das manifestações espirituais para entender o que estava acontecendo.
  Temos que convir que, em certos relatos do Evangelho, existem alguns exageros. Assim, determinados acontecimentos foram colocados buscando valorizar os fatos ou a pessoa quem os produziu. Vejamos, como exemplo, o que consta em Jo 21,25: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos”.
  Dito isso, vamos à 1ª carta aos Coríntios 15, 3-6: “Eu vos transmiti principalmente o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, depois aos doze. Em seguida apareceu de uma só vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive ainda hoje, embora alguns tenham morrido”. Nenhum dos quatro evangelistas fala que Jesus teria aparecido a quinhentas pessoas, assim podemos supor que pode ser apenas um exagero de Paulo.
  Por outro lado, até mesmo a questão de Jesus ter ficado quarenta dias no meio dos discípulos poderíamos entender de outra forma, pois o número 40 possuía, para eles, um significado importante, observem:

    O povo hebreu permaneceu 40 anos no deserto;
    No dilúvio choveu 40 dias e 40 noites;
    Jacó ao morrer ficou 40 dias embalsamado;
    Moisés ficou no Sinai 40 dias e 40 noites, quando recebe os Dez Mandamentos;
    Deus, por castigo, entrega os israelitas aos filisteus por 40 anos (Jz 13,1);
    Em desafio um filisteu se apresenta ao exército hebreu por 40 dias (1Sm 17,16);
    Davi reinou por 40 anos (2Sm 5,4);
    O templo tinha 40 côvados.(1Rs 6,17);
    O reinado de Salomão durou 40 anos (1Rs 11,42);
    Elias, após comer o que um anjo lhe dá, caminha 40 dias e 40 noites (1Rs 19,8);
    Jesus jejuou 40 dias e 40 noites.

  Carlos Torres Pastorino no Livro A Sabedoria do Evangelho, quando fala sobre como devemos fazer a interpretação da Bíblia, coloca:

Os números possuem sentido muito simbólico, assim:
    10 – diversos
    40 – muitos
    07 – grande número
    70 – todos, sempre.

  Então, conclui: não devem ser tomados à risca.
  Dessas aparições de Jesus podemos realçar duas coisas. A primeira, é que há vida após a morte, caso contrário, ninguém poderia aparecer depois de morto. A segunda, é que os mortos se comunicam com os vivos, por mais que alguns ainda venham a dizer que isso não pode ocorrer a nós não resta dúvida alguma quanto a isso. Alguns querem sustentar que Jesus tenha se manifestado com o corpo físico, entretanto isso não condiz com o que podemos tirar dos acontecimentos.
  Então Jesus não ressuscitou no corpo físico? Reafirmamos: Não, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque, mas analisemos.
  Quando se apresenta a Maria de Madalena, diz “não me toques, porque ainda não subi para meu Pai” (Jo 20,17), entretanto, a Tomé Ele disse: “Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado” (Jo 20,27), nos parecendo contraditório. Fica ainda mais difícil de compreender, quando colocam Jesus dizendo “porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho” (Lc 24,39), e, na seqüência (v.43), ele está comendo peixe com favo de mel. Tudo isso nos parece ter sido um ajuste para sustentar a idéia de que a alma não sobrevive sem o corpo físico.
  No livro de Tobias, encontramos um anjo fazendo coisas comuns aos seres humanos, inclusive comendo, mas ao final ele declara: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos… Vocês pensavam que eu comia, mas era só aparência… E o anjo desapareceu…”. (Tb 12, 15-22). No caso de Jesus não poderia ter sido uma situação semelhante ou mesmo completamente materializado, conforme já o dissemos? Esta hipótese justificaria a questão de que poderia ser tocado, pois estaria tangível.
  Mas considerando que, em várias oportunidades, se manifesta e ninguém o reconhece, somente acontecendo após algum gesto dele. Isso não ocorreria se ele tivesse mesmo ressuscitado no corpo físico. Se fosse em espírito poderia muito bem, por sua evolução espiritual, transparecer com tanta luz que não conseguiram de imediato identificá-lo. Teria Ele, quando vivo, dito algo que viesse a negar depois de morto, já que acreditamos que o que pregou foi realmente a ressurreição do Espírito?
  Os evangelistas são unânimes em dizer que o corpo de Jesus foi colocado num túmulo novo. As narrativas de Mateus (27.59-60) e Marcos (15,46) dizem que o túmulo era de José de Arimatéia, enquanto a de Lucas (23,52) não dá a entender isso e João (19,41-42) diz que o túmulo estava localizado no jardim perto do lugar onde Jesus fora crucificado e o colocaram lá apenas porque estava perto, faltam dados para concluir que seria de José de Arimatéia. Prestem a atenção à narrativa, pois foi dito “colocaram” em vez de enterraram, com isso não estaria mesmo para ser um lugar provisório?
  Em Atos (5,6.10), quando se narra a morte de Ananias, e, logo após, a de Safira, sua mulher, a expressão usada foi: “levaram para enterrar”, ou seja, em definitivo. Assim, por falta de maiores comprovações, podemos concluir que o lugar onde colocaram o corpo de Jesus não era o seu túmulo definitivo, o que, provavelmente, foi feito depois, daí a razão do desaparecimento de seu corpo, hipótese mais provável tomando-se como base as narrativas.
  Por outro lado, no domingo de manhã, dois dias depois da morte de Jesus, algumas mulheres compraram perfumes e foram ao sepulcro para embalsamar o corpo (Mc 16,1; Lc 24,1), reforçando a ideia de que estava ali provisoriamente. João (20,1-2) relata que somente Maria Madalena foi ao sepulcro, sem dizer o motivo, que ao encontrá-lo vazio, diz: “levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”, ou seja, falou exatamente o que seria de se esperar para uma situação provisória.
  Quem vai nos tirar desse impasse? Em Atos (16,7) Paulo e Timóteo tentam entrar na Bitínia, aí diz o texto: “mas o Espírito de Jesus os impediu”. Em 2Cor 3,17, Paulo afirma: “O Senhor é Espírito”. Pedro já nos diz que Jesus: “… sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito” (1Pe 3,18) e mais adiante nos dá outra informação dizendo que Jesus foi pregar o Evangelho aos mortos (1Pe 4,4-6), o que Jesus só poderia ter feito em Espírito. Assim, tudo se converge para a ideia de que Jesus, após sua morte, ressuscitou em Espírito.
  A conclusão final, portanto, fica-nos que a ressurreição contida na Bíblia é a do Espírito e não do corpo. E sendo a do Espírito teremos também que, forçosamente, admitir a comunicação dos “mortos” com os vivos, conforme o acontecido com o próprio Jesus após sua morte.
  Fica aí ainda evidenciada a necessidade de uma exegese mais realista dos fatos acontecidos, já que o que os teólogos nos colocaram não condiz com a realidade.

Mar/2004.
Bibliografia:

    Bíblia Sagrada, São Paulo, Edições Paulinas, 1980.
    Bíblia Sagrada, São Paulo, Paulus, 1990.

FONTE: Portal do Espírito

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/a-aparicao-de-jesus.html

Paulo da Silva Neto Sobrinho

paulosnetos@gmail.com

2 thoughts on “A Aparição de Jesus depois da Morte

  1. Comentário de Maria Herminia Pellichero em 19 junho 2014 às 11:08

    Ótimo texto, segundo a Doutrina dos Espíritos e conforme relatos encontrados no Novo Testamento, deixados pelos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João.

    Realmente, o espírita crê no Jesus Radiante, pleno de luz, que após a morte, traz o testemunho do que ensinou o Cristo: aparecendo em corpo perispiritual, materializado, demonstrando a imortalidade da alma, a beleza do mundo espiritual para aqueles que se preocupam em se melhorar e adquirir valores.
    Jesus já era Espírito Superior, dotado de faculdades inerentes à Espiritualidade Maior e isso se demonstra pelos seus feitos. Muita coisa se escreveu sobre Ele, mas a religião dominante permitiu que nos chegassem apenas os quatro relatos, contidos na Bíblia. Descobriu-se depois mais alguns detalhes, como o Evangelho de Tomé, já traduzido para o português e outros mais, que nos esclarecem mais algumas facetas da vida do Mestre de todos nós.
    Importante salientar, em tempo, que dos quatro evangelistas apenas Mateus e João conviveram com Jesus. Marcos e Lucas souberam dele, mas quando encontraram os discípulos Jesus já morrera, e escreveram baseados nos relatos orais dos que O haviam conhecido. Havia também muitos documentos copiados, pois cada adepto queria ter em mãos os dados sobre Jesus, para levar aos outros ,que não conviveram com ele. Muitos foram considerados apócrifos ou condensados nos quatro relatos .
    Parabéns pelo texto… Creio que será válido para dirimir dúvidas, pois o que importa para nós, seres pensantes em evolução , são os ensinamentos deixados por Ele, quando aqui esteve em corpo material, como homem que era, mas, e principalmente, as verdades exemplificadas em Sua vida, numa abordagem espiritual tão perfeita ,pelo grau de evolução, atestada pelos Seus feitos.
    É a esse Jesus, o Cristo, que irradia amor, que nos abre os braços e nos diz:” Fazei aos outros o que gostaríeis que vos fizessem “, o Jesus que atestou ,pelo exemplo Seu grande amor pela Humanidade, que representa a perfeição , sendo Modelo para os homens, é Ele que guardo no coração, a quem oro, simplesmente, pedindo amparo, em cujas mãos coloco, ao dormir, meu corpo físico e meu espírito imortal, com a confiança plena n’Ele.

  2. Comentário de Marco Aurélio de Carvalho em 27 maio 2016 às 17:16

    Prezados…
    Uma explicação bem interessante eu encontrei no Livro de Urântia, no documento 189, página 2022, A Ressurreição, onde encontra-se transcrito na página 2022:

    “2. O CORPO MATERIAL DE JESUS

    Às três e dez, enquanto o Jesus ressuscitado se confraternizava com as personalidades moronciais reunidas, vindas dos sete mundos das mansões de Satânia, o dirigente dos arcanjos – anjos da ressurreição – aproximou-se de Gabriel e pediu-lhe o corpo mortal de Jesus. E o dirigente dos arcanjos disse: “Podemos não participar da ressurreição moroncial da experiência de auto-outorga de Michael, nosso soberano, mas gostaríamos de ter os seus restos mortais sob a nossa custódia para dissolução imediata. Não nos propomos empregar a nossa técnica de desmaterialização; meramente queremos invocar o processo do tempo acelerado. Suficiente para nós já é havermos visto o Soberano viver e morrer em Urântia; as hostes dos céus seriam poupadas da recordação de ter de suportar a visão da degradação lenta da forma humana do Criador e Sustentador de um universo. Em nome das inteligências celestes de todo o Nébadon, peço um mandato dando a mim a custódia do corpo mortal de Jesus de Nazaré e o poder de procedermos à sua dissolução imediata”.

    Pág. 2023

    E após Gabriel e o decano Altíssimo de Edêntia conferenciarem, foi dada ao porta-voz dos arcanjos das hostes celestes a permissão para que ele dispusesse dos restos físicos de Jesus como julgasse conveniente.
    Depois de ser-lhe concedido esse pedido, o dirigente dos arcanjos convocou para ajudá-lo muitos dos seus companheiros, junto com uma numerosa hoste de representantes de todas as ordens de personalidades celestes e então, com o auxílio das criaturas intermediárias de Urântia, eles deram prosseguimento à tomada de posse do corpo físico de Jesus. Esse corpo de morte era uma criação puramente material; era físico e real; não poderia ser removido do sepulcro, como havia sido removida a forma moroncial da ressurreição, escapando do selo sepulcral. Com a ajuda de algumas personalidades moronciais auxiliares, a forma moroncial, em um momento, pode se fazer como espírito, de um modo tal que se torne indiferente à matéria comum, enquanto em um outro momento ela pode tornar-se discernível e contatável para os seres materiais, como os mortais deste reino.
    Enquanto eles se preparavam para remover o corpo de Jesus do sepulcro, antes de dispor dele de um modo preparatório de modo a dar-lhe uma dissolução quase instantânea condigna e de modo reverente, foi designado às criaturas secundárias de Urântia que rolassem as pedras afastando-as da entrada da tumba. A maior dessas duas pedras era circular e imensa, muito semelhante a uma roda de moinho que se movia em um sulco marcado na rocha, de um modo tal que podia ser rolada para frente e para trás, a fim de abrir ou fechar a tumba. Quando os guardas judeus vigilantes e os soldados romanos, sob a luz escassa na madrugada, viram essa imensa pedra começar a rolar saindo da entrada do sepulcro, aparentemente por si mesma – sem quaisquer meios visíveis a explicar esse movimento –, eles foram tomados pelo medo e pelo pânico e correram, abandonando depressa o local. Os judeus correram para as suas casas, voltando depois para reportar o acontecido ao seu capitão no templo. Os romanos correram para a fortaleza de Antônia e contaram o que haviam visto ao centurião, tão logo ele chegou ao seu posto.”
    Este livro, não sendo um livro espírita, porém tendo sido recebido de forma mediúnica, contém relatos interessantes da vida de Jesus, que merecem ser estudados. Aliás, há muitas casas espíritas com grupos de estudos sobre o Livro de Urântia. que pode ser obtido graciosamente através de download.

Deixe uma resposta